O pôr do sol caía sobre a praia do Cruzeiro, em Icoaraci, quando os MCs de Belém e região metropolitana começaram a chegar para a primeira Batalha da Floresta de 2015, realizada no dia 1º de março. Animados, os guerreiros de rimas e palavras estavam afiados para disparar sua criatividade e já começar a treinar com o objetivo de se preparar para a duelo nacional de MCs que acontece todos os anos em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Ano passado, Gabriel GB representou o Pará no nacional e, como ele mesmo diz, bateu na trave. Mas, esse ano, ele pretende ganhar o título de melhor MC improvisador da cultura hip hop no país e já começou bem, vencendo a primeira Batalha da Floresta do ano.
“Fizemos a batalha à capela, no improviso, porque tivemos um problema de infraestrutura e som, mas resistimos e fizemos as rimas porque sabemos que é importante treinar para alcançar nossos objetivos. Não lembro o que disse nas batalhas, já que tínhamos 45 segundos em cada round para disputar com outros dois MCs e depois competíamos em um bate e volta de rimas, mas dei o meu melhor e os jurados e público gostaram”, disse Gabriel, que disputou com os MCs Arlan, Talita e Moraes nesse domingo.
Promovidas pelo coletivo “Sempre Pelo Certo”, as Batalhas da Floresta ainda vão acontecer muitas vezes esse ano, assim como muitas outras espalhadas pela cidade e que pretendem fortalecer a cultura hip hop no Pará. Além das batalhas, o público presente ao evento pode conferir a apresentação do grupo Relicário Raps, de Barcarena, composto pelo MCs Magrinho e Salu, que mostrou o potencial do rap produzido no interior do Pará. A discotecagem ficou com o 3º Mundo Sound System, que deu o tom das batidas animadas do evento.
“Essa é a edição ribeirinha, que faz parte dos nossos planos de ocupar alguns espaços da cidade, como a orla de Icoaraci”, disse Bruno BO. A disputa do domingo era a chamada Batalha de Sangue, onde não há tema definido para as rimas e os MCs fazem rounds onde cada um tem cerca de 45 segundos para mostrar ao adversário e ao público seu potencial.
“Existem regras. Somos contra qualquer tipo de preconceito ou ridicularização do outro. Assim conseguimos resultados de alto nível”, explicou Ed, um dos organizadores da batalha que, ao lado dos jurados MCs Magrinho e Gaspar, decidiu os melhores rimadores da noite.
MC Loko estava entre os que batalhavam. “Minha expectativa é fazer o público rir. Esse é meu estilo de rimar e que é bem diferenciado. Muita gente leva a coisa mais a sério, porém eu busco dar um tom descontraído para a minha rima e, claro, tirar onda com o adversário”, disse o MC, que começou a batalhar em São Paulo, em 1991, e desde então não abandonou a arte e pretende se esforçar para ser o representante do Pará na etapa nacional deste ano.
“Estou sempre praticando, envolvido em todas as batalhas que estão rolando, porque para ser um bom rimador não existe fórmula. É preciso treino”, completou o MC.
(Diário do Pará)
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