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Espetáculo critica a censura

Fabrízio Bezerra iniciou seus estudos profissionalizantes na extinta The Actors Studio - Belém, em 2001. “O tempo que fiquei em Belém fiz muito teatro, mas infelizmente aí o artistas precisa fazer outras coisas para sobreviver e acaba fazendo teatro por a

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Fabrízio Bezerra iniciou seus estudos profissionalizantes na extinta The Actors Studio - Belém, em 2001. “O tempo que fiquei em Belém fiz muito teatro, mas infelizmente aí o artistas precisa fazer outras coisas para sobreviver e acaba fazendo teatro por amor. Quem quer viver da arte tem mais oportunidades no eixo Rio-São Paulo.

Se eu tivesse na minha terra os incentivos e as oportunidades que tenho aqui no Rio, não teria saído nunca. Mas tive que vir atrás do meu sonho”, pontua o ator.

Em sua estreia nos palcos do Rio de Janeiro, Fabrízio vive Ricardo Pimentel, que vê sua vida mudar de rumo após comprar um livro que para ele era apenas curioso, porém para os militares era considerado subversivo, o que dá início a uma busca violenta a Ricardo, seus amigos e sua família.

“Ele comprou esse livro porque achou engraçado a história de um feiticeiro negro que morreu no ano de 1700. Os militares acham que este feiticeiro realmente está chegando para armar toda a revolução. O meu personagem chega a ler o livro em casa com os amigos, mas um deles pede o livro emprestado e ele não lembra quem foi”, antecipa Fabrízio.

A história narra essa violenta busca pelo livro considerado subversivo, porque traria em suas páginas a codificação de um plano de uma revolução internacional, o que justificaria a invasão de casas e empresas e até a prisão, tortura e morte de famílias e pessoas, tudo em uma crítica evidente à ditadura militar.

A peça foi escrita por Maria Jacintha em 1968, após ela ter vivido na pele o período da censura no Brasil, sendo até presa em 1964 junto com outras seis mulheres. A montagem é do Núcleo de Ensino e Pesquisa de Artes Cênicas (NEPAC), da Universidade Federal Fluminense, UFF.

“Depois de tudo isso, Ricardo chega a ser preso com toda a família porque a polícia não encontra o livro. Ele é torturado e interrogado, questiona os porquês de estar preso mas a polícia não dá respostas”, completa o artista, dizendo que a peça é uma crítica a forma como as prisões arbitrárias eram feitas naquela época.

O diretor Leonardo Simões faz o espetáculo em memória aos 50 anos do golpe de estado e 20 anos da morte de Maria Jacintha, falecida em dezembro de 1994. Este roteiro foi o último que ela escreveu.

“Fico feliz por participar de um trabalho que não deixa de ser uma denúncia, pois envolve política. Aconteceu em 1964, mas é uma história atual. Hoje é mais fácil fazer comédia, porque as pessoas querem sair de casa para rir. Quando entramos num projeto que é uma denúncia sobre a ditadura militar, não temos certeza de público, mas é um convite para que as pessoas saiam de casa e venham conhecer mais a nossa própria história”, convida o protagonista.

(Diário do Pará)

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