Luiz Braga já recebeu diversos prêmios no Brasil e no exterior e, de certa forma, sabe que seu trabalho é reconhecido em todo o mundo. Porém a mais recente premiação do fotógrafo paraense tem um gostinho especial.
“Retumbante Natureza Humanizada”, uma das maiores exposições que Luiz já fez, segundo ele mesmo, será premiada hoje como a Melhor Exposição de Fotografia de 2014, pela Associação Paulista de Críticos de Artes, um reconhecimento importante para o trabalho que mostrou o olhar de Luiz Braga em recortes nunca antes vistos.
“Realmente a mostra foi resultado de uma conspiração de pessoas talentosas ajudadas por uma luz maior que fez com que, como uma bela orquestra, tudo funcionasse. O retorno do público foi maravilhoso e esse é o maior de todos os prêmios. Tanto no Facebook como no Instagram, os comentários me emocionaram muito”, antecipa Luiz, que embarca hoje cedo para receber o prêmio no Teatro Paulo Autran, em São Paulo.
Na bagagem leva outra indicação, recebida na semana passada, ao Prêmio Pipa de Artes 2015, promovido pela IP Capital Partners e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro para consagrar artistas de arte conhecidos no mercado brasileiro. “Ao longo da carreira recebi prêmios tanto no Brasil como no exterior. Eles são um reconhecimento pelo trabalho e isso todo artista gosta”, comemora.
A exposição premiada hoje, que teve curadoria de Diógenes Moura, considerado um dos melhores curador de fotografia do Brasil, ficou de maio a agosto do ano passado em cartaz no Sesc Pinheiros, em São Paulo, e foi considerada um verdadeiro memorial da carreira de Luiz Braga, com 160 imagens que mostram todas as técnicas trabalhadas pelo artista: preto e branco, cor e nightvision digital, a mais recente desenvolvida por ele.
A exposição tem também uma abrangência temporal bastante generosa, com fotos feitas de 1976 até 2014. Ela foi avaliada em igual peso com todas as exposições que entraram em cartaz em São Paulo no ano passado. “O júri, formado por críticos experientes, se reúne no final do ano e escolhe a melhor exposição. Esse prêmio é muito prestigiado”, explica.
A exposição trouxe de forma ímpar o cotidiano e a natureza de pessoas de Belém e do Marajó, mais especificamente de Soure, Cachoeira do Arari, Salvaterra e Quilombo do Pau Furado, territórios onde o fotógrafo vem trabalhando mais constantemente diante da crescente violência urbana na capital paraense. O resultado da exposição é a culminância de uma pesquisa de fotos iniciada em 2009.
“Abri meu arquivo para ele (Diógenes) mergulhar e de lá retirar imagens que nunca haviam sido expostas. Mais de 90% eram inéditas e que eu mesmo nunca tinha visto ampliadas. Foi uma gratíssima surpresa até para mim. No negativo você nunca imagina como vai ficar. Pode ter uma ideia mas, ao vivo, a foto ampliada e montada na parede provoca uma emoção muito grande”, conta Luiz Braga.
Também no ano passado, ele realizou outro grande feito: reuniu belas imagens em um livro, com texto do curador Eder Chiodetto, lançado em Belém. Agora, o artista se empenha em trazer a premiada “Retumbante Natureza Humanizada” para Belém de uma forma mais ousada.
“Quero trazer essa exposição para minha terra, afinal escolhi ficar aqui e gosto muito de exibir meu trabalho em Belém, pois há um público excelente para a fotografia e as artes em geral. Mas quero fazer uma montagem ainda mais audaciosa. Espero conseguir!”, promete o artista, cheio de mistério.
(Diário do Pará)
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