Para Mariano Klautau Filho, o título da exposição “Gestos, Relatos, Escritas e Autoficções – Sobrado 4 Cantos” é composto por palavras que são quase sinônimas e foi a partir delas que ele criou a temática que reuniu trabalhos de 18 artistas - dentre eles paraenses como Luiz Braga, Octavio Cardoso, Walda Marques e Ionaldo Rodrigues e outros de Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
São obras em que a realidade se refaz continuamente, seja em um discurso montado a partir de séries, ações em que o corpo é objeto de descrição, narrativas inventadas a partir de restos de memórias, objetos aparentemente iguais que se repetem na diferença, cidades observadas entre história e ficção, e, especialmente, as histórias particulares que ganham na fotografia uma dimensão confessional.
A exposição será aberta hoje em um lugar de destaque no “5º Festival de Fotografia de Tiradentes”, em Minas Gerais.
“Comecei a reunir trabalhos de fotógrafos que utilizassem em sua linguagem a ideia de fazer a obra como se constrói um livro, como uma sequência. Não que isso não tenha sido feito ao longo da história, mas acho que hoje esse fenômeno é mais forte na fotografia contemporânea, é uma linguagem que se dá num processo, como se fosse uma escrita.
Você percebe os trabalho como a construção de um discurso. Essa ideia é um pouco fruto de um trabalho de pesquisa que venho fazendo sobre fotografia e produção atual e é também resultado de um conjunto maior de questões sobre a fotografia contemporânea”, pontua o curador.
Neste caminho, os artistas não foram convidados ao acaso. “Buscamos aqueles que fazem seu trabalho como um processo de escrita de si mesmos, que flertam com a memória de um lugar, a casa onde habitaram. Os trabalhos são como gestos de escrita confessionais, recortes de lembranças particulares do artista ou do personagem que ele criou em um determinado lugar”, acredita Mariano.
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(Diário do Pará)
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