A estética rica e colorida do artista plástico paraense Odair Mindello está na Itália, onde ele fará, pela primeira vez, uma exposição internacional, na Unusual Art Gallery, em Caserta. Na bagagem, ele leva os já renomados e pretigiados trabalhos da mostra “Real Sociedade Amazônica”, que ocupou por quase dois meses o Espaço Cultural do Banco da Amazônia, em Belém, e mais duas novas telas, “Múndia” e “Dunas”, que agora vão apresentar um pouco da estética amazônica aos europeus.
“Acredito que essas duas novas telas mantêm a fluidez criativa da exposição. São mais geométricas e não deixam de ser uma visão que a gente tem da Amazônia, só que desta vez inspirada nas fotografias de satélite e georreferências”, explica Mindello. Ele acredita que os olhares sobre a Amazônia e sua rica biodiversidade devem ser ampliados.
“Nós já temos muitos olhares voltados para nós por causa da nossa rica biodiversidade. Ampliar isso por meio da arte é o encontro de um mundo amazônico poético, representando não somente uma obra estética de grande importância, como também uma reflexão profunda sobre a diversidade dos signos da múltipla Amazônia. A ação pictórica é o meio lançado para retratar e ironizar, com as cores, figuras desta história social dispostas em poses variadas e apreendidas no espelho desigual da globalização, então coloco o vocabulário visual nas obras”, comenta o artista, explicando sua proposta.
Trazendo o público para a essência e não se focando em tendências, Mindello não vai em um caminho que está em voga, mas quer trazer um tema que é rico e baseado em uma investigação artística apoiado na vontade de impactar, registrando movimentos e restabelecendo referências de formas e intensificação da imagem. Assim, confere a dualidade aos personagens desta estrutura social e visual.
“É uma via do conhecimento. Um conhecer que vai além da informação, obras moldadas para um cenário que norteiam o olhar para uma paisagem em ângulos e enquadramentos contemplativos dos dias atuais e que clareiam pensamentos desses povos que habitam este mar verde chamado Amazônia, convencendo-nos para a existência de consciência política ambiental e de sustentabilidade e seus derivados sobre a floresta por meio da arte”, completa o artista.
NA ITÁLIA
A abertura será amanhã e a exposição segue de 21 a 30 deste mês, mas a curadora e dona da galeria, Sueli Viana de Micco, já adiantou que há espaço para um relançamento e um segundo vernissage.
“Estou muito feliz de levar esse trabalho para a Itália. A galeria já estava me sondando há dois ou três anos, mas fatores como a distância e outros entraves impediram que isso acontecesse antes”, explica o artista.
A exposição terá a crítica de Vincenzo Mazzarella, do Palácio Real de Caserta, e deve abrir portas para que outros paraenses consigam levar seus trabalhos para a galeria. “Vicenzo é um grande crítico de arte com doutorado no assunto e que terá seu primeiro contato com obras da Amazônia. Isso é bom, porque ajuda a aproximá-los do nosso universo, das nossas paisagens e do enquadramento que temos por aqui. A galeria quer levar outros artistas paraenses e desenvolver mais essa temática não só com artistas plásticos, mas também com designers de joias e biojoias, tudo de arte que tenha um pouco da nossa fauna e flora e dos nossos signos”, antecipa o artista, que desde 2009 tem obras na galeria, mas apenas agora parte para sua primeira exposição individual por lá.
INTERNACIONAL
Exposição “Real Sociedade Amazônica”
Local: Unusual Art Gallery, Caserta - Itália
Exposição: De 20 a 30 de março
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar