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Equipe chega ao Pará para pesquisa gastronômica

A gastronomia além dos restaurantes e das mesas dos grandes chefs é o objetivo da “Expedição Fartura Gastronomia”, que percorre alguns lugares do Brasil para conhecer e transformar em conhecimento compartilhado os hábitos alimentares, os ingredientes, a h

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A gastronomia além dos restaurantes e das mesas dos grandes chefs é o objetivo da “Expedição Fartura Gastronomia”, que percorre alguns lugares do Brasil para conhecer e transformar em conhecimento compartilhado os hábitos alimentares, os ingredientes, a história, a economia e todos os demais campos que abrangem a cultura gastronômica de uma região. Hoje, o chef Rusty Marcellini, curador e idealizador do projeto, chega a Belém para realizar a última etapa da expedição, que já passou por Goiás e Tocantins.

“O objetivo é focar em toda a cadeia produtiva, não apenas no chef de cozinha, último elo da cadeia. Preferimos dar maior foco naquilo que as pessoas da região consomem e conhecem. Queremos saber o que o povo come, buscar os biomas, saber o que existe no território, sejam as frutas, peixes, raízes, cascas ou sementes, avançar um pouco mais e conhecer as tradições regionais, conversar com historiadores para entender como surgiu essa culinária paraense e amazônica, passando pelas tradições regionais, antropológicas e sociais”, explica o chef, que acumula 12 anos de pesquisa em gastronomia, vem de uma família intimamente envolvida com culinária e, de quebra, tem formação em cinema, o que o habilita para dirigir os vídeos, entrevistas e todo material audiovisual captado na viagem.

Antes conhecido como “Expedição Brasil Gastronômico”, o projeto já percorreu nos três últimos anos 17 estados brasileiros e quase 50 mil quilômetros com uma meta audaciosa: explorar todo o país. Já passou por 120 cidades, entrevistou aproximadamente 300 personagens e o resultado foi compartilhado em eventos gastronômicos em Minas Gerais (seu ponto de partida) e em breve serão expandidos para Porto Alegre e Fortaleza. Além disso, o conteúdo pesquisado é divulgado na internet, principalmente através das redes sociais, para aumentar cada vez mais a cultura gastronômica dos brasileiros, e também é propagado em outras plataformas, como livros, filmes e programas de rádio. Uma segunda etapa da expedição, prevista para maio deste ano, ainda passará pelo Piauí e terminará no Maranhão.

Desta vez, assim como nos outros anos, a conclusão do trajeto dará origem a um livro e um documentário com relatos de todos os produtores visitados, além das receitas executadas pelos chefs que acompanharam as etapas utilizando os ingredientes de cada local. Em 2014, o livro “Expedição Brasil Gastronômico” venceu o prêmio Jabuti na categoria Gastronomia.

“Nos vídeos, a gente mostra quem são esses produtores, sejam eles grandes ou pequenos, e aborda as questões deles sobre sazonalidade dos produtos e diversas outras questões que acabam constituindo a cadeia da região. Vamos às feiras para ver como estão distribuídos os produtos, como eles chegam e como saem da cidade. Queremos saber quem compra. Enfim, não e só fazer as receitas, temos um foco mais social, cultural e econômico”, diz o chef, que já veio a Belém e diz ser um apaixonado pela cultura daqui.

A estadia será dividida em nove dias no Estado, seis deles em Belém. Os dois primeiros serão no Marajó, acompanhando a produção de queijo de búfala, da carne de búfalo e também do turu, molusco muito tradicional nos pratos da região. Na capital, serão abordados temas como o chocolate da Ilha do Combu, a rota do açaí, o tacacá, o pato no tucupi e uma visita ao mercado Ver-o-Peso está no roteiro. Em boa parte do período no Pará, a equipe contará com a presença da chef Lia Quinderé, da patisserie Sucré, de Fortaleza, eleita chef patissier do ano de 2013 pela revista “Prazeres da Mesa”.

“Apesar de já conhecer Belém e saber quem são as nossas fontes no local, estamos abertos a novas experiências. Queremos conhecer toda a cadeia desses produtos do Pará e, para isso, no caso do queijo e da carne de búfalo, por exemplo, vamos até o lugar onde é feita a ordenha da búfala para entender depois como esse leite vira queijo, como é processado e maturado. Vamos buscar historiadores para saber como o búfalo surgiu na ilha, até chegar em um prato com os ingredientes, seja feito pela dona de casa ou em um restaurante de alta gastronomia”, antecipa Rusty.

(Diário do Pará)

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