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Ubuntu: de uma palavra nascem movimentos

A palavra “ubuntu”, de origem africana, traduz uma filosofia utilizada pelo povo bantu para inspirar a relação entre indivíduos e comunidade, priorizando o compartilhamento ao invés do interesse egoísta. Um conceito que traduz fraternidade e que serviu d

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A palavra “ubuntu”, de origem africana, traduz uma filosofia utilizada pelo povo bantu para inspirar a relação entre indivíduos e comunidade, priorizando o compartilhamento ao invés do interesse egoísta.

Um conceito que traduz fraternidade e que serviu de inspiração na história da luta contra o apartheid encabeçada por Nelson Mandela.

O termo tão belo e cheio de bons ensinamentos também norteou o mais novo espetáculo da Companhia Moderno de Dança, “UM”, que nasceu de uma ampla pesquisa acerca de elementos das culturas afrobaiana e africana, revelando práticas corporais dos dois povos através da dança.

“Quando tivemos contato com a palavra ubuntu e conhecemos melhor o significado - ‘eu sou o que sou pelo que nós somos’ -, entendemos que essa palavra remete a um princípio de coletividade, ou seja, se todos estão bem, eu estarei bem. Isso casa perfeitamente com nosso modo de pensar e realizar a dança. A gente cria as coreografias de uma forma compartilhada, não existe hierarquia onde o coreógrafo ensina e os bailarinos executam. Somos todos criadores”, explica Ana Flávia Mendes Sapucahy, diretora artística da companhia.

Há oito meses, o grupo mergulhou nessa cultura para fazer uma cuidadosa análise das práticas corporais da capoeira, do samba, das danças afrobaianas, da música africana e arquétipos de orixás do candomblé, tudo para transformá-los em sua linguagem artística e trazer o resultado para o público do espetáculo que foi contemplado em 2013 com o prêmio Funarte de Dança Klauss Viana.

“Além das pesquisas, ao longo desses meses fizemos diversas oficinas e, no final do ano passado, apresentamos um trecho do espetáculo com a pesquisa ainda em andamento, para ouvir o que o público tinha achado. Consideramos o que as pessoas opinaram para chegar a essa opção final que apresentamos agora”, completa.

O espetáculo reúne 26 artistas, entre bailarinos e pessoal de bastidores, e conta com uma cenografia diferenciada que não se adequa aos palcos dos teatros. Por isso o espetáculo que estreia hoje será apresentado na sede do Quem São Eles.

“Sentimos uma necessidade de usar um espaço diferenciado por conta do cenário, que não cabe dentro de um teatro, e ainda utiliza elementos como fogo, terra e água. Chegamos a conclusão que ficaria bom numa escola de samba já que, além de ser um local que tem uma relação com as culturas de matrizes africanas, também é um grupo que já estabelecemos uma parceria - o porta-estandarte da escola é um dos nossos bailarinos. Tudo se conectou e ficamos felizes com o resultado”, alegra-se Ana Flávia.

(Diário do Pará)

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