Assim como o Mercado de Ferro, a Igreja do Carmo também passava por obras de restauração e conservação iniciadas em 2013, e que abrangiam desde elementos arquitetônicos até os artísticos, como pinturas e púlpitos. Foi necessária grande dedicação para retomar um prédio histórico cuja primeira parte começou a ser construída ainda em meados de 1620, pela Ordem Carmelita do Maranhão, e a segunda inaugurada um século depois. Para que essa reabertura em grande estilo fosse possível, muitas parcerias precisaram ser feitas.
O projeto básico do restauro foi desenvolvido pela superintendência regional do Iphan, que assinou termo de cooperação com a Arquidiocese de Belém e orientou o desenvolvimento do projeto executivo e a equipe responsável pela execução da obra em questões técnicas. A entidade associou-se ainda ao departamento de Obras Sociais da Arquidiocese de Belém e Salesianos do Carmo, para viabilizar o projeto e habilitá-lo junto ao Ministério da Cultura. Assim foi possível captar recursos disponíveis através das leis de incentivo fiscal na modalidade Mecenato, tendo como patrocinador a empresa Vale.
A restauração incluiu ainda a recuperação integral da cobertura da Igreja, do sistema de calhas e condutores, dos rufos que ajudam na proteção das paredes e das juntas entre os telhados contra a infiltração indevida da água da chuva. A fachada de pedra, importada de Lisboa em 1750 e afixada à igreja por volta de 1756, recebeu tratamento com emplastros para remoção de sujeiras, com reintegração de áreas com perda.
A obra é das mais reconhecidas por ter recebido a intervenção do arquiteto Antônio Landi, em meados de 1750, dando a ela a organização atual: incluindo a capela-mor, remanescente da segunda igreja, com o retábulo entalhado em madeira e o altar com frontal de prata lavrada, que receberam a nave e os retábulos laterais – também projetados pelo italiano – e a fachada de cantaria, que após as obras também foi recuperada e passou por processos para preservação.
(Diário do Pará)
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