A presidente nacional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, vem a Belém especialmente para entregar amanhã dois importantes cartões-postais da cidade que foram completamente restaurados: a Igreja Nossa Senhora do Carmo e o Mercado de Peixe/Mercado de Ferro do Ver-o-Peso. O primeiro será aberto ao público em cerimônia oficial, às 9h. Já o segundo será entregue aos feirantes às 17h, incluindo a abertura da exposição “Ver-o-Peso das Águas”. Um notícia duplamente interessante para o tão desgastado patrimônio paraense que ruma aos 400 anos em 2016.
Na Igreja do Carmo, a riqueza está nos detalhes.
Inaugurado em 1º de dezembro de 1901 e inscrito no Livro do Tombo Histórico em 1977, o Mercado de Peixe é um dos prédios mais ricamente trabalhados dentre os que compõem o Complexo do Ver-o-Peso. Até seu formato de dodecágono (com 12 lados) encanta quem nele adentra para fazer compras ou visitar. O segundo nome pelo qual é conhecido, Mercado de Ferro, vem de sua própria estrutura feita de chapas metálicas, oriundas de Londres e Nova Iorque.
O primeiro projeto para sua construção foi de Henrique La Roque e a montagem realizada pelos engenheiros Bento Miranda e Raimundo Viana. Para a historiadora Maria de Nazaré Sarges, “a construção e o estilo do Mercado são reflexo da riqueza trazida pelo apogeu do Ciclo da Borracha”. E a recuperação de tamanha beleza vem em boa hora. Inaugurada em 1627, a feira livre do Ver-o-Peso, da qual o mercado é vizinho, completa na próxima sexta-feira, 27, seus 388 anos e já recebe este presente adiantado.
As obras de restauração e conservação do prédio ocorriam desde janeiro de 2010, advindas de uma demanda dos próprios feirantes da área, sob a realização do Iphan, e vieram para corrigir situações graves e emergenciais, como a derrubada de uma torre que ocorreu durante um dia de ventania na cidade. Mas também para fazer reparos necessários para melhor receber a população e aqueles que chegam até mesmo de outros países para conhecer o mercado. Foram providenciadas novas instalações elétricas, hidrossanitárias, proteção contra raios e instalado um circuito interno de TV.
A obra foi realizada em duas etapas, para evitar que os peixeiros e lojistas que atuam no local ficassem desabrigados durante os trabalhos, e foram exatamente as dificuldades nesse remanejamento que acabaram ocasionando atrasos na execução. O valor total dos investimentos foi de, aproximadamente, R$ 8 milhões, incluído o reajustamento de contrato. A primeira etapa foi concluída em 2014, com entrega de 15 lojas, um PM Box e metade dos boxes dos peixeiros – 30 boxes -, 50% da cobertura, quadro de energia e duas torres. A ação beneficiou diretamente cerca de 231 famílias dos trabalhadores e permissionários que trabalham no mercado, além das cerca de 4 mil pessoas que por ali circulam diariamente, segundo dados da Secretaria Municipal de Economia que faz a gestão do Ver-o-Peso. Em picos como na Semana Santa, quando a procura por peixe aumenta, esse número aumenta para até 8 mil pessoas por dia.
O mercado reabre ainda com uma nova câmara frigorífica, banheiros e com suas instalações, de forma geral, adequadas às normas da vigilância sanitária. Para não sofrer com as constantes chuvas belenenses, houve também a reforma total da cobertura do prédio com o redimensionamento de calhas e condutores de forma a evitar o acúmulo ou transbordamento de águas que geram infiltrações entre outros problemas que antes degradavam o patrimônio. Um presente também para as gerações futuras.
EXPOSIÇÃO
Durante a cerimônia de entrega, também será aberta uma exposição com os resultados das oficinas do projeto “Ver-o-Peso das Águas”, organizada pelo fotógrafo Miguel Chikaoka. As produções trazem um novo olhar sobre os bens materiais e simbólicos que constituem a dinâmica do complexo arquitetônico e paisagístico do mercado e as atividades, realizadas enquanto o espaço encontrava-se em obras, contaram com a participação dos trabalhadores locais e frequentadores da feira envolvendo-os com técnicas de xilogravura e fotografia artesanal.
Na Igreja do Carmo, a riqueza está nos detalhes.
(Diário do Pará)
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