Mestre Vital, o “Engole Cobra” de Cametá, e o cantor e compositor Rafael Lima se encontram neste sábado em uma roda de conversa promovida pelo Coletivo Casa Preta. Às 16h, o Sarau da Poesia Preta reúne produtores culturais, educadores e ativistas dos movimentos negros para falar sobre a poesia que surge das periferias, com questões afrodescendentes.
Durante o evento, também será exibido o audiovisual “Rio Tocantins Sonoridades e Memórias”, produzido pelo estudante de publicidade Paulo Castro, com depoimentos do Mestre Vital. O artista se apresenta já há 25 anos, acompanhado de sua banda, encarnando a personagem que criou na década de 1990, inspirada pelo movimento dos Caras Pintadas. O Engole Cobra canta a mitologia amazônica, mas protesta contra a devastação das floretas e contra a corrupção. “Para mim, todos os depredadores da natureza e corruptos são cobras e eu gostaria de ser um bicho para engolir esses caras, porque bicho ninguém prende”, conclui Vital Batista.
O grupo reflete a identidade cultural do Baixo Tocantins, tocando “banguês ecológicos”, que integram ritmos regionais e referências do pop nacional. Mestre Vital foi vocalista da banda Caferana e de outras bandas, e locutor de aparelhagens, até criar seu próprio grupo, com o qual gravou três CDs e um DVD, em produções caseiras. Hoje com 68 anos, ele se inspira em cantores como Zé Ramalho, Raul Seixas, Nilson Chaves e Ney Matogrosso.
Certamente um encontro interessante com Rafael Lima, compositor que explora elementos rítmicos e melódicos do Norte em fusões com o jazz, ritmos indígenas e outras influências. Seu trabalho rendeu cinco CDs lançados na Suíça, além de de uma opereta adaptada da obra de Dalcídio Jurandir.
(Diário do Pará)
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