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Mostra comemora os 35 anos de Emanuel Franco

Obras de arte feitas com água e poeira. Dois elementos díspares, mas que representam as memórias e lembranças da vida interiorana em nosso estado e que se relacionam com a cor das águas barrentas dos nossos rios e igarapés. O artista visual e arquiteto E

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Obras de arte feitas com água e poeira. Dois elementos díspares, mas que representam as memórias e lembranças da vida interiorana em nosso estado e que se relacionam com a cor das águas barrentas dos nossos rios e igarapés.

O artista visual e arquiteto Emanuel Franco, graduado pela Universidade Federal do Pará e professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade da Amazônia, conta essas histórias que permeiam seu trabalho há muitos anos.

Sua pesquisa já lhe rendeu prêmios em salões regionais e até internacionais, e ele agora comemora seus 35 anos de carreira com a exposição “Km35”, que abre hoje no Centro Cultural Sesc Boulevard, mostrando obras inéditas e outras que remontam ao início de sua carreira.

“Água e poeira são parte da minha obra: uma suja a outra lava. Essa realidade da poeira e da água mostra esse trabalho que eu realizo, seja percorrendo rios em comunidades ribeirinhas ou nas estradas, e que tem essa poeira que se acumula nas lonas, mostrando essa realidade estradeira. No final, tudo é resultado dos transcursos que fiz e os lugares a que essas lonas me levaram, tudo resumido em um contraste bem interessante”, disse Emanuel.

A exposição traz objetos e instalações visuais produzidos com mantas e refugos de lonas enceradas, usadas como proteção de cargas nas rodovias brasileiras. A maioria das obras são inéditas e foram produzidas com exclusividade para a mostra, que é a décima segunda exposição individual do artista.

“O nome dessa exposição vem de duas coisas: primeiramente meus 35 anos de trajetória artística, e segundo é a comemoração dessa pesquisa tão bem-sucedida, iniciada no final da década de 1990, que faço utilizando as lonas de caminhão como suporte das minhas obras. Eu vou mostrar tanto obras recentes e inéditas, que fiz nos últimos quatro meses, e alguma coisa de acervos do Governo do Estado e instituições privadas, para mostrar o início da trajetória. De fato é uma exposição que conta uma história e mostra essa produção que foi muito bem resolvida para mim como artista e que eu dediquei tantos anos de pesquisa”, conta o artista.

Ao longo desses anos, Emanuel construiu uma relação com os loneiros, pessoas que remendam as lonas dos caminhões. Eles se tornaram mais do que simples fornecedores de matéria-prima - são admiradores e colaboradores da sua obra.

“Eu comecei a coletar e observar os detalhes de cada lona, ver as tonalidades que a própria lona me oferecia. Eu lavava e tirava a sujeira e aquilo que ficava era a tonalidade da lona, gasta pelo tempo e pelo uso, e eu me apropriava disso, as separava para trabalhar em ação pictórica. Ao longo de todo esse tempo de pesquisa, os loneiros entenderam um pouco deste trabalho. Eles sabem o que me interessa e, de certa forma, participam do contexto da seleção das cores. Eles conhecem os resultados do trabalho e muitos ficam pasmos de ver como é esse processo de transformação”, pondera o artista.

Mais do que coletar as lonas, Emanuel mergulha nesse universo de estradas e rios que são parte de um estado tão grande como o Pará, onde são as estradas empoeiradas ou os rios barrentos que nos levam.

“Eu percorri essas estradas todas para conhecer os elementos de caminhoneiros e poder ver as coisas deles, mergulhando nesse universo. O impressionante é que eu não interfiro em nada com tinta no material. É a própria lona que se apresenta dessa forma com seus remendos, ilhoses e costuras. Trabalho e me aproprio da forma como elas se apresentam para mim. Elas me ofertam essas tonalidades: amarelo, esverdeado, amarronzado, que são típicos de nossa região, a cor que também está nos nossos rios e igarapés amazônicos barrentos, das matas, do lodo, da lama, a cor da lona transmite isso, portanto. O quilômetro que nomeia a exposição pode ser de estrada ou de rio”, completa Emanuel.

APRECIE!

“Km-35”, obras de Emanuel Franco

Onde: Centro Cultural Sesc Boulevard (Boulevard Castilhos França)

Abertura: Hoje, às 19h

Visitação: Até 10 de maio, de terça a sábado, das 9h às 19h, e aos domingos, das 9h às 13h.

Quanto: Entrada franca

(Diário do Pará)

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