Após alguns músicos sofrerem um assalto e perderem seus instrumentos de trabalho, veio a ideia de realizar um show que, além de solidário - pois visa recuperar parte do que foi roubado - também é um manifesto contra a violência.
É o “Pedrinho Callado Convida”, a partir das 21h de hoje, no Nossa Casa, com participação de grandes nomes da música paraense, como Nilson Chaves, Edilson Morenno, Lucinnha Bastos, Nean Gallucio, Lúcio e Mário Mouzinho e Mahrco Monteiro.
O músico anfitrião conta que foi assaltado quando estava em companhia de outros dois músicos e que foram levadas sua guitarra e pedaleira. “É claro que tenho outros instrumentos para trabalhar.
O show, na verdade, é algo mais simbólico, para falar dessa violência que todos nós sofremos. O Adilson Alcântara, um dos que estavam comigo, por sorte, não levava instrumento. Roubaram apenas o celular dele. O show foi uma ideia entre todos nós. É a nossa forma de dizer não à violência”, diz Callado.
Cada convidado terá liberdade para apresentar um pouco de seu próprio trabalho. No caso de Callado, muitas músicas de um novo CD que está preparando estarão presentes, como “O Amor é Fogo”, parceria com Felipe Cordeiro, e “Bicharada”, composta com Ziza Padilha. Este último também é convidado do show e comenta:
“Eu vou para contribuir e acho importante diante da situação que a gente se encontra. Eu mesmo já fui assaltado várias vezes e em uma delas, ano passado, levaram violão, pedaleira e uma caixa de som. Levei quase um ano para recuperar tudo”, relata.
No show de hoje, Ziza acompanhará Pedrinho Callado em diversas músicas, com ritmos como o carimbó, xote, merengue, guitarradas e MPB. O encontro será “um passeio pelos ritmos amazônicos, porém, com uma leitura moderna”, descreve.
A cantora Lucinnha Bastos diz que Callado a deixou muito à vontade para participar do encontro. “Como tem muito tempo que não vou a bar, quero deixar em aberto, cantar aquilo que o público pedir”.
Ela já imagina alguns dos pedidos como sendo “Belém, Pará, Brasil”, “Uirapuru” e “Ao Pôr do Sol”. “São músicas que o público sempre pede e que marcaram minha carreira. Além disso, espero ter a oportunidade de cantar a música ‘De Banjo na Mão’, um carimbó maravilhoso do Pedrinho e que quero cantar com ele”, diz Lucinnha.
Questionada sobre sua opinião a respeito da motivação do show, Lucinnha diz que toda a forma de se manifestar pacificamente é ótima.
“Está uma loucura (a situação da violência em Belém). E esses instrumentos que são roubados são caros, que o músico, para comprar, tem que cantar muito. É muito chato isso e não é só pela questão do apego – porque a gente se apega aos nossos instrumentos –, mas porque a gente compra o que se adapta com o nosso trabalho, algo que a gente leva muito tempo para conquistar”, declara.
(Diário do Pará)
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