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Artistas farão regravações de Milton Nascimento

Milton Nascimento encanta o Brasil há mais de cinco décadas e as comemorações oficiais por tantos bons frutos gerados para a música brasileira ocorreram em 2013, com o lançamento de disco e DVD gravado ao vivo e especial para a data chamado “Milton Nascim

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Milton Nascimento encanta o Brasil há mais de cinco décadas e as comemorações oficiais por tantos bons frutos gerados para a música brasileira ocorreram em 2013, com o lançamento de disco e DVD gravado ao vivo e especial para a data chamado “Milton Nascimento - Uma Travessia”, seguido por uma turnê de Bituca, como os milhares de fãs mais íntimos do cantor o conhecem. Mas faltava um tributo de artistas a esse grande artista, uma deferência de seus pares a essa produção tão marcante para várias gerações. A inconfudível voz de Milton sai de cena e é substituída por outras, um tanto novas, mas todas ansiosas por prestar a sua homenagem ao grande mestre.

Em breve, o site Scream&Yell vai lançar uma coletânea que nos convida a passear pela rica obra do artista, pegar emprestada sua poesia e riqueza melódica e prestar merecida homenagem ao músico, que sempre nos presenteou com canções honestas, marcantes e cheias de sentimento. Com previsão de lançamento para junho, a coletânea “Mil Tom” reunirá 32 artistas, de 11 Estados, que imprimirão seu estilo musical e originalidade às composições e gravações de Milton. O tributo renderá um álbum duplo, com 15 faixas cada, que poderá ser conferido em streaming e download no site www.screamyell.com.br.

“A ideia é perpetuar o legado de Milton Nascimento, um dos principais artistas do país, e dar luz a essa nova safra de grandes artistas que vem surgindo”, conta o idealizador do projeto, o produtor mineiro Pedro Ferreira, que acumula em sua trajetória uma homenagem ao Los Hermanos, feita quase que no mesmo formato em 2012, a Coletânea “Re-Trato”. O disco ainda contará com projeto visual da artista plástica Luyse Costa.

Dentre os artistas convidados, o paraense Felipe Cordeiro irá interpretar a música “Cravo e Canela”, dando à canção original um pouco da identidade musical paraense. Para ele, o desafio é interpretar a música adaptando-a ao seu timbre de voz e fazer dela uma nova obra, sem que perca a tão bela essência que possui.

“Eu ainda não fechei a versão, mas já tenho muita coisa em mente. Acho que vai ser uma versão apoiada na guitarra, mas não tao previsível quanto se imagina, seguindo pelo caminho da lambada e da guitarrada ou carimbó. O que eu quero é desconstruir essa música e trazer uma outra possibilidade. Vai estar lá nossa identidade, porém mais indiretamente e menos óbvia. A gente precisa ser criativo!”, explica o artista.

CONVIDADOS

Sobre ser o único paraense escolhido para tão importante projeto, Felipe se sente honrado e relembra que, no início de sua carreira, a MPB clássica brasileira o influenciou muito. “Eu comecei tocando violão e músicas ligadas à MPB, cantores do Rio de Janeiro me influenciavam mais, como Chico Buarque, mas sempre fui um grande observador da cena mineira clássica dessa geração. O Milton tem uma escola de harmonias e melodias muito particular e essa é uma das músicas mais ritmadas que ele tem”, completa Felipe.

O rapper Rashid, de São Paulo, também vai ter uma importante missão: dar uma nova vida a “Tudo Que Você Podia Ser”. Para ele, relembrar Milton é entrar um pouco em sua história de vida, afinal ele morou na adolescência em Minas Gerais e relembra que sua avó conhecia o cantor.

“Vivi em Minas dos 13 aos 17 anos. Naquela época, eu ouvia o Milton Nascimento, mas apenas os clássicos, que sempre tocaram. Um dia, minha avó, que é da cidade de Três Pontas, disse que ela via o Milton na rua quando eles ainda eram crianças. Isso me chamou muita atenção. Depois que passei a fazer música e a entender mais de estrutura musical, percebi que Milton é um gênio”, elogia o rapper.

Por isso, para ele, é uma alegria conciliar a harmonia e melodia propostas pelo cantor inserindo um pouco do seu próprio mundo: o rap. “É uma missão interessante, o cantor de rap não costuma lidar com tanta melodia. Então, o que eu quero fazer é realmente misturar. Não quero bagunçar a estrutura da música, mas ela tem várias pausas e é aí que eu quero colocar as rimas. Seria como se eu sampleasse o Milton: a gente vai retocar e reconstruir o som e trazê-lo para nosso mundo, mas sem descaracterizá-lo, afinal trata-se de uma obra consolidada”, antecipa o cantor.

(Diário do Pará)

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