O que vai resultar uma série de encontros para troca de experiências entre artistas paraenses para analisar, mapear e difundir a produção artística feita no Pará? Não se sabe ao certo.
Mas a proposta é interessante e foi lançada pelo projeto “Arte Sesc Confluências”, iniciativa nacional que chega a lugares como Belém, onde há uma cena artística dinâmica e efervescente, mas ainda não tão conhecida dos grandes circuitos brasileiros.
Participam dessa troca os artistas Antônio Botelho, Armando Queiroz, Cinthya Marques, Drika Chagas, Éder Oliveira, Ednaldo Brito, Elaine Arruda, Elisa Arruda, Evna Moura, Keyla Sobral, Léo Bitar, Marcílio Costa, Maria Cristina, Mário Noronha, Nando Lima, Nina Matos, Nio Dias, Rafael Bandeira, Raimundo Calandrino e Veronique Isabelle.
“Esse é um projeto pioneiro que visa trocar experiências entre esses artistas de uma maneira diferenciada, incluindo mediadores locais e de fora, em um trabalho colaborativo. Juntos vamos mapear essa produção artístico-visual e verificar como andam os trabalhos, não só do grupo, mas de vários movimentos que acontecem hoje na cidade, o que certamente vai resultar na identificação do cenário da arte contemporânea”, explica Armando Sobral, um dos mediadores locais do projeto.
Foram mais de 40 inscrições de artistas, curadores, críticos, estudantes e profissionais das artes, que enviaram seus portfólios para avaliação.
Dentre eles, 20 foram selecionados para o projeto que acontece não só no Pará, mas também na Paraíba, Piauí, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins.
Há também mediadores nacionais, especialistas atuantes no circuito artístico, onde se inclui o paraense Alexandre Sequeira e ainda Renata Voss (SE) e Fernando Lindote (SC), que vão visitar todos os locais envolvidos no projeto para conversas com os artistas.
Os encontros começam na próxima semana, de 7 a 11 de abril, no Centro Cultural Sesc Boulevard. Os artistas participarão de palestras, cursos e oficinas, tudo para promover este intercâmbio de saberes para chegar à análise ampla e detalhada do contexto regional, identificar agentes culturais, coletivos, circuitos, tendências, temáticas, espaços, políticas, ideologias, tensões e pontos de confluência.
“As atividades acontecerão com curadores locais e outros vindos de fora, como é o caso da Renata Voss, para criar essa espécie de cartografia da produção local. Além disso, a cada encontro que fizermos, o grupo vai apontar um determinado tema referente ao nosso cenário artístico local para que o Sesc possa trazer um grande pensador dessa questão para a realização de uma palestra e workshop. Assim podemos aprofundar essas questões de maneira mais consolidada”, antecipa Armando.
O produto final de todo esse trabalho não tem uma definição exata. O que se sabe é que o “Arte Sesc Confluências” pretende divulgar novos talentos através de sua circulação nos espaços do Sesc e organizar material sobre a produção de arte brasileira contemporânea, disponibilizando-o para consulta pública através de uma plataforma digital.
“Com certeza o levantamento vai colocar esses artistas numa visão mais nacional. Vamos colocar toda essa informação na plataforma digital que vai apontar a produção dos artistas, as linguagens e as tendências da arte contemporânea, mas também isso pode resultar no desenvolvimento de um projeto de circulação nacional ou a publicação de grande catálogo da arte local”, acredita Armando.
O coordenador responsável pelo setor de artes visuais do Sesc Boulevard, Márcio Campos, acredita que a inserção do Pará neste projeto piloto mostra a importância da produção artística local para o resto do Brasil.
“Os artistas daqui têm muito conhecimento, o que gera uma produção significativa. Eles são muito reconhecidos, estão sempre participando de bienais ou sendo contemplados em editais. Isso mostra que temos uma produção efervescente e crescente”, acrescenta.
Para Márcio, o produto que o projeto vai gerar não importa – os encontros criativos com os artistas já seriam um grande reconhecimento da arte paraense.
“Não está definido exatamente o que vai resultar e isso é interessante porque, geralmente os projetos já têm um fim determinado quando você se inscreve, mas esse tem um diferencial, essa liberdade. O que sabemos é que esses debates, encontros e falas podem render desde uma exposição até uma publicação com textos críticos, o que vai definir isso são os encontros”, conclui.
A artista paraense Keyla Sobral apostou no projeto porque acredita na proposta e acha que esse intercâmbio rende bons frutos. “Mandei alguns trabalhos meus recentes para a seleção e gostei de ter a oportunidade de participar porque sei que vai dar em algo importante.
O legal é que vamos construir juntos. Eu já participei de alguns projetos nacionais e acho que esse tipo de ação incentiva bastante a troca com os outros artistas”, argumenta.
A artista canadense Veronique Isabelle, que mora em Belém, onde cursa um doutorado, já conhece bem a dinâmica artística local e não esconde a ansiedade em poder participar do Confluências.
“Será um momento de troca muito rico, onde vários artistas jovens da cidade poderão partilhar suas vivências e pensar junto cenas. Uma das principais é a emergência de espaços artísticos independentes na cidade e os movimentos de ocupações de centros históricos em iniciativas livres. Acho que os artistas escolhidos podem refletir sobre essa cena e trabalharem juntos nela. Espero que possamos entender mais o que as artes querem para a cidade e a importância desses artistas, que são atores sociais”, explica, referindo-se à efervescente cena cultural independente de Belém, que tem resultado na abertura de diversos espaços de produção e difusão da arte visual contemporânea produzida no Pará.
(Diário do Pará)
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