Em meados de janeiro, o VOCÊ anunciava o mais novo projeto da cantora Aíla, “O Amor é Brega”. Morando há cerca de um ano em São Paulo, a paraense prometia em breve trazer o show – que já fazia sucesso pela Terra da Garoa – para os fãs e amigos de Belém.
A promessa foi cumprida na última semana, em apresentação única no teatro Waldemar Henrique, espaço que ela afirmou, diante da plateia, ser um “lugar especial”, por ter sido um dos primeiros em que se apresentou quando começou sua carreira.
As canções, velhas conhecidas de gente de todas as idades, parecem ter agradado a quem compareceu. Vale ressaltar que o teatro teve todos os seus lugares ocupados em uma noite de muita chuva, com boa parte do público presente pontualmente para o início do show.
E este abriu já contagiando, ao som de “Meu Lamento”, da cantora Diana, depois seguindo para “Contigo ao Sol”, de Bob Lin, ambos da Jovem Guarda.
A alma das canções e o clima nostálgico foram mantidos e, ainda assim, mesclados com arranjos modernos, com destaque para as versões de “Eu Não Sou Cachorro, Não”, de Waldick Soriano, e “Eu Te Amo Meu Amor”, de Frankito Lopes, este último recebendo uma versão meio rock anos 1960. Destaque para a guitarra e teclados, que resgataram com perfeição parte dos arranjos originais de músicas como em “Quando”, de Roberto Carlos.
Outro ponto alto do show é a intervenção da artista visual Roberta Carvalho, que através de vídeos interativos deu ainda mais vida e emoção a cada música. Neste quesito, um dos mais interessantes foram os vídeos com pés dançando no ritmo do brega “Gererê”, de Nelsinho Rodrigues, e o mar que acompanha “Meu Lamento” para, depois que a canção encerra, encher o ambiente com o som das ondas quebrando na areia.
“São imagens que produzi pensando em cada momento do show. Tem algumas coisas que filmei, algo que fui produzindo, imagens em baixo d’agua”, contou Roberta Carvalho. E foi uma felicidade ver o resultado deste híbrido de música e vídeo, que se mesclaram ainda à poesia de Fernando Pessoa.
“Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”, dizia o poema, que em tudo traduzia a essência do show.
E o bom mesmo do show paraense é a intimidade. Aíla recebeu diversos amigos no palco, entre eles as cantoras Camila Honda, Juliana Sinimbú e Nanna Reis, além de Dona Onete, que fez um dueto com a anfitriã cantando sua própria composição, “Proposta Indecente”.
“Ninguém como Dona Onete para falar de amor”, declarou Aíla, ao agradecer a presença e falar da escolha da canção para o repertório de “O Amor é Brega”. Tudo virou uma festa entre amigos.
O show encerrou, mas ninguém queria ir embora, então, ainda em clima de amizade, a primeira canção foi cantada novamente com mais gente em cima do palco do que embaixo acompanhando.
Quem aguardava a chegada do novo show por aqui não teve do que reclamar, nem da chuva, que não parava do lado de fora do teatro.
(Diário do Pará)
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