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De volta ao início do espetáculo multimídia

Falar em mistura de linguagens artísticas não é novidade, é tendência contemporânea. Mas a intenção da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (UFPA) é inspirar ainda mais os artistas paraenses para que repensem sua forma de produzir os e

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Falar em mistura de linguagens artísticas não é novidade, é tendência contemporânea. Mas a intenção da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (UFPA) é inspirar ainda mais os artistas paraenses para que repensem sua forma de produzir os espetáculos.

Ao exibir no cineclube da escola o filme paraense “Anjos sobre Berlim”, feito por Nando Lima em 1991 para compor uma peça de teatro, o professor Ramiro Quaresma espera criar um ambiente de discussão pedagógica entre cinema e artes cênicas, abordando filmes, peças e espetáculos que criem essa confluência.

“O filme do Nando foi feito para uma peça de teatro nos anos 1990, mas acabou funcionando de forma isolada como um média metragem paraense. Ao trazê-lo para o cineclube, estamos resgatando o cinema como parte dos espetáculos e reforçando a importâncias dessas linguagens híbridas”, explica o professor.

“Anjos Sobre Berlim” faz a estreia do projeto, e foi escolhido por ser um marco no audiovisual e no teatro paraense. “Era uma coisa complemente independente e experimental. Todas as coisas que a gente estava vivendo entraram. Um espetáculo que começava com 40 minutos de vídeo, foi pensado e montado para o teatro Margarida Schivazappa. Era passado em cinco televisões ao mesmo tempo”, explica Ramiro, que estará presente à exibição do vídeo para bater um papo com o público sobre o formato.

O filme foi realizado há 24 anos, de forma colaborativa, com equipamentos e ilha de edição emprestados ou cedidos por curtíssimos períodos.

São 41 minutos filmados em VHS, com direção, roteiro, figurino e cenografia de Nando Lima, fotografia, câmera e edição de Aníbal Pacha, produção de Oriana Bitar e sonoplastia de Leo Bitar. No elenco, estão os atores Alberto Silva, Betto Paiva, Cláudio Melo, Josiane Dias e Oriana Bitar.

“Nando Lima propôs uma peça com televisores no espetáculo e atores interagindo com eles e fez o que seria um espetáculo multimídia muito antes desse conceito ser difundido. Na equipe técnica e artística de ‘Anjos’ estão nomes importantes da arte paraense ainda em início de carreira, e foram todos colaboradores artísticos do filme, onde o texto, a música e as atuações carregam uma carga de memória de um período que precisa ser mais pesquisado e debatido”, reforça o professor Ramiro.

Na época, a tecnologia estava em transformação e o cinema se tornava mais acessível com a transição da película para a fita magnética, mudando não apenas o suporte, mas sua poética e estética. A versatilidade das fitas magnéticas (VHS/Umatic) na captura de imagens em movimento, edição e incorporação de efeitos, como o Kroma Key, possibilitou a uma geração de realizadores experimentar o cinema em uma nova plataforma.

“As novas câmeras deram acessibilidade aos artistas, que começam a pirar dentro dessa proposta de formato. A história se repete na atualidade quando é possível, com um aparelho de celular, gravar imagens em full HD”, completa o professor.

(Diário do Pará)

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