No ensaio “Elogio da Profanação”, o filósofo italiano Giorgio Agamben se dedica a abrir relações comuns entre as ideias de “usar” e “profanar”. Para isto, parte de uma discussão da etimologia de “religio” - não a mais comum, “religare”, que faz referência à união entre humano e divino, mas outra, “relegere”, que aponta para outro sentido além do religioso, indicando a atitude de escrúpulo e de atenção que devem caracterizar as relações com os deuses.
Essas ideias dão nome e conceito ao espetáculo “Profanação”, da Cia. Danças Claudia de Souza, que está em temporada pelo Pará a partir de hoje, com apresentações em Belém, Ananindeua, Capanema e Marituba, através do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna.
Dentro destas premissas, a Cia. Danças Cláudia de Souza compõe esta obra para falar de rituais do nosso tempo, presentes em nossos corpos, nossa cultura, aquilo que testemunhamos e construímos, usando, para isso, linguagens que envolvem capoeira, danças populares e sociais brasileiras, educação somática e o teatro, para abranger a questão técnica de uma maneira mais pessoal e contextualizada com nosso tempo, respeitando as individualidades, necessidades, corpos e desejos.
“Minha história corporal, percurso artístico e subjetividades estão presentes nesta busca, transformando e ressignificando o movimento, contribuindo para um trabalho autoral que perpassa pelo campo do artístico e do pedagógico”, diz Cláudia.
(Diário do Pará)
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