Com um já considerável apanhado de composições conhecidas do público jovem, como “Vagalumes Cegos”, que foi tema do filme “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, e “Tempo de Pipa”, que bateu a marca de 2 milhões de visualizações no YouTube, Cícero acredita que o novo trabalho parece ter encontrado um equilíbrio entra a música que toca na rádio e a música experimental.
“Acho que estou no meio do caminho buscando um equilíbrio entre essas duas coisas. Esse trabalho vem com músicas com harmonias mais funcionais e também aquelas que você ouve e consegue imaginar tocando no rádio. Acho que o legal desse momento que a gente vive, com essa produção musical, é não seguir nenhum tipo de regra. As canções do disco são todas igualmente interessantes e, hoje, podem estar ao mesmo tempo nele. O crivo está na mão de quem faz e eu posso permitir todas essas coisas num disco só. Acho que a grande coisa da minha geração é essa liberdade para seguir todas as escolas ao mesmo tempo”, completa Cícero, que não teme essa "realidade virtual".
“Um dos grandes questionamentos da geração de agora é descobrir esse ponto comum entre a realidade virtual e o mundo real. Afinal, qual a zona de contato? Na minha música as pessoas têm a ponte entre essas duas coisas. Sei que a esmagadora maioria de pessoas não sabe quem sou eu mas, com essa difusão, mais gente tem comparecido ao show. Então, essa é a fórmula. Eu ainda não vi uma forma que eu ache realmente correta de se lançar um disco sem cair nos mesmos erros da antiga indústria fonográfica. Coloco os discos no meu site, no domínio, que é o lugar que eu cuido, e é mais estável. Sei que daqui a 30 anos vai estar lá e eu fico seguro”, revela o músico.
Nas faixas que compõem “A Praia”, Cícero convidou os músicos que o acompanham na estrada e músicos que admira de outros trabalhos para criar uma atmosfera leve, porém rica, branda, mas também densa, pacífica e turbulenta, numa obra de 30 minutos, que versa sobre as características e implicações de seu tempo, de sua realidade, de suas observações e sentimentos.
“Já conseguimos ter as primeiras reações, vendo as canções que agradaram mais, que foram mais tocadas como é o caso de 'A Praia', 'De Passagem' e 'Terminal Alvorada'. Eu não acho que existe uma música de trabalho. Gosto muito de fazer álbum porque acho que ele tem essa função da fluidez. Só ouço música assim, ouvindo todo álbum, mas entendo que pessoas tem necessidade de destacar uma ou outra canção”, argumenta.
Cícero tem shows de lançamento do seu novo álbum em Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Aracaju e Recife, mas diz que tem expectativa de trazê-lo para Belém.
“A vez que estive em Belém foi assustador, do ponto de vista positivo. Foi impactante, porque foi uma das primeiras vezes que estive no Norte do Brasil e as pessoas conheciam meu trabalho e gostavam dele. Pretendo voltar em breve”, conclui o cantor.
(Diário do Pará)
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