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Distintos suportes para a impermanência

Já no Prêmio Diário Contemporâneo, destinado a todos os artistas selecionados cujo trabalho fotográfico apresente relações com outras linguagens e suportes como instalação, vídeo, objeto, performance, ou ainda proponha novas sintaxes na representação foto

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Já no Prêmio Diário Contemporâneo, destinado a todos os artistas selecionados cujo trabalho fotográfico apresente relações com outras linguagens e suportes como instalação, vídeo, objeto, performance, ou ainda proponha novas sintaxes na representação fotográfica, a obra “Loess”, da paraense Marise Maués, teve o destaque. Trata-se de uma performance, produzida este ano, na Ilha de Maracapucu-Miri, município de Abaetetuba, onde ela nasceu. Marise se propôs a ficar por sete horas ininterruptas no leito de um igarapé.

Com isso, a artista pretende representar o homem contemporâneo como um ser Loess - instável, temporário e passível de ser retomado. Assim, adentrar em um igarapé em um ato performático, passível à ação de agentes naturais, possibilitou a materialização imagética de ter o corpo da artista tecido em camadas que se sobrepunham com o passar das horas, utilizando como cenário o lugar que a viu nascer, crescer e com o qual até hoje ela tem laços estreitos de convivência. Portanto, um lugar de afeto.

A mostra “Tempo Movimento” também será a chance de ver a instalação “Horizonte Reverso”, do paraense Dirceu Maués, que levou o Prêmio Diário do Pará, destinado somente a fotógrafos paraenses e/ou residentes atuantes no Pará por pelo menos três anos. Desde 2003, Dirceu desenvolve trabalho autoral nas áreas da fotografia, cinema e vídeo, com base nas pesquisas com a construção de câmeras artesanais e utilização de aparelhos precários.

A obra premiada consiste em uma pequena parede construída a partir do empilhamento de câmeras escuras que apontam para o mesmo lugar: uma pequena cadeira iluminada. A imagem da cadeira - e tudo em sua volta - é projetada sobre o papel vegetal contido no interior das caixas, revelando um mundo de ponta-cabeça. Aqui, a experiência da imagem perfaz um caminho de volta, em direção à imaterialidade, ao desejo que precedia a imagem fotográfica como a conhecemos – ou a conhecíamos alguns anos atrás. Invertida paisagem. Um mundo dentro de uma caixa: o mundo de ponta-cabeça.

Criado em 2010, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é um projeto nacional que incentiva a cultura, a arte e a linguagem fotográfica em toda a sua diversidade. É uma realização do jornal DIÁRIO DO PARÁ, com patrocínio do Shopping Pátio Belém e Vale, apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA, Sol Informática e Museu da Universidade Federal do Pará (Mufpa).

Além dos premiados deste ano, estarão presentes na exposição, as obras dos artistas selecionados Andrea D’Amato (SP), Carolina Krieger (SP), Daniela de Moraes (SP), Edu Monteiro (RJ), Elaine Pessoa (SP), Felipe Ferreira (RJ), Pio Figueiroa (SP), Gui Mohallem (SP), Guy Veloso (PA), Isis Gasparini (SP), José Diniz (RJ), Solon Ribeiro (CE), Júlia Milward (RJ), Karina Zen (SC), Lara Ovídio (RN), Marcelo Costa (SP), Marcílio Costa (PA), Pedro Cunha (PA), Pedro Veneroso (MG), Sérgio Carvalho de Santana (CE), Tiago Coelho - Régis Duarte (RS), Tom Lisboa (PR), Tuca Vieira (SP) e Victor Saverio (RJ). Ramon Reis, Véronique Isabelle e Rafael Bandeira participam da mostra como convidados especiais.

(Diário do Pará)

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