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Livro-coletânea sobre fotografia inclui paraenses

Como arte da representação, a fotografia apresenta inúmeras possibilidades de construir relações com o real. É nisso que se concentra o quarto volume da série de panoramas sobre a arte produzida no país nos últimos anos, lançada pela editora Cobogó com o

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Como arte da representação, a fotografia apresenta inúmeras possibilidades de construir relações com o real. É nisso que se concentra o quarto volume da série de panoramas sobre a arte produzida no país nos últimos anos, lançada pela editora Cobogó com o livro “Outras Fotografias na Arte Brasileira Século XXI”. A publicação organizada por Isabel Diegues, em colaboração com Júlia Rebouças, Luisa Duarte e Moacir dos Anjos, aborda a representação do real e suas implicações estéticas e políticas neste século.

“No processo de elaboração do conceito do livro, nos debruçamos sobre a pesquisa de obras que tratassem de algo essencial na fotografia: sua vocação para representar o real, tomando-o como experiência partilhada por um coletivo, por questões inerentes à realidade em que vivemos, pelo encontro entre o sujeito e o mundo à sua volta”, explica Isabel Diegues.

Nesse contexto estão artistas consagrados como Claudia Andujar, Rosangela Rennó e Miguel Rio Branco. E também traz - como nos livros anteriores da série -, artistas paraenses entre sua seleção de imagens.

Guy Veloso e sua série “Penitentes”, que já esteve na Bienal Internacional de São Paulo, em 2010, e a artista Berna Reale aparecem no livro ao lado de outros 22 artistas brasileiros contemporâneos que também se preocupam em mostrar o real em suas artes.

“No trabalho com ‘Penitentes’, que é fruto de uma pesquisa antropológica, mostro esses grupos laicos de caráter secreto, que durante certas épocas do ano, geralmente na Quaresma, saem noite adentro rezando pelos espíritos sofredores, cobrindo rostos com panos ou capuzes. No meu trabalho de pesquisa, eu chego muito perto do objeto fotografado, tento ser íntimo dessas pessoas que fotografo, tanto que retorno a eles e acho que é isso que traz essa parte do real às fotografias. A minha interpretação é real, sem deixar de lado a estética ao fotografar”, acredita Guy, que, com este trabalho, carrega o título de primeiro pesquisador a levantar e provar a teoria de que estas confrarias de tradição oral, grande parte de difícil acesso ou até sigilosas, estão presentes nas cinco regiões do Brasil. Para chegar a essa conclusão, Guy cobriu o país inteiro e terminou com 117 grupos documentados.

Ao longos dos quase 30 anos de carreira do artista, 13 deles dedicados aos “peregrinos”, o artista já participou de diversas exposições, dentre elas a Leica Gallery, na Alemanha, sempre empreendendo uma investigação antropológica sobre as formas de devoção das diferentes matrizes culturais e religiosas que coabitam no Brasil, buscando elaborações estéticas que sejam capazes de representar a fé, num registro íntimo e subjetivo de cada realidade retratada.

Berna Reale, que tem uma obra bastante performática e explora a relação de seu corpo com elementos visuais simbólicos, como objetos, indumentárias ou lugares que remetem a um imaginário de violência institucionalizada e neutralizada na experiência cotidiana, indica como as noções acerca do tema podem ser apreendidas e recriadas de modos bastante singulares.

Percorrendo as 245 imagens do livro, é possível encontrar diversas questões que tangenciam o conceito central, como a relação entre estética e política, a representação de indivíduos à margem da sociedade, o corpo como meio de atualização de potências, além de aspectos identitários e de realidades urbanas.

“O livro traz artistas que usam esse meio, a fotografia, para se expressar. A Berna, por exemplo, faz performances e usa fotografia como meio de expressão. Já, para mim, fotografia é meu trabalho de expressão”, complementa Guy.

No livro anterior lançado pela Cobogó, “Fotografia na Arte Brasileira séc. XXI (2014)”, outros paraenses já mostravam seus trabalhos, como o consagrado Luiz Braga, Alexandre Sequeira e Mariano Klautau Filho, coordenador do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. A nova publicação foi lançada ontem em São Paulo e tem lançamento marcado para o dia 5 de maio no Rio de Janeiro.

(Diário do Pará)

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