“Eu me perdi nos olhos dela/Eu fui embora daqui/Mas levei um punhado de castanhas para me acompanhar”. Os versos da música “Do Tamanho do Mundo”, destaque do primeiro trabalho autoral do paraense, Antônio Novaes, ex-Euterpia, soa como uma biografia do músico que saiu de Belém rumo a São Paulo e resolveu unir cada bom capítulo importante da sua história e contá-la no EP “Gito”, que chega hoje ao público pelo site Scream & Yell, do jornalista e crítico musical Marcelo Costa.
“Fico muito feliz com o resultado dessa produção, passando pelo design, conteúdo e som do trabalho que reúne minha trajetória desde Euterpia, passando pela vivência em outros países e minhas experimentações musicais. Tem como referências o jazz, mas é híbrido. Nos arranjos, muita coisa latina, caboclo-caribenha com referências do afrobeat, soul music, eletrônico e, claro, música paraense”, diz o artista que sempre buscou fundir elementos sonoros e poéticos - e não seria diferente agora.
O nome, “Gito”, tem raízes paraenses, já que este vocábulo na região remete a coisas pequenas, pedacinhos, miniaturas ou crianças. O trabalho, afinal, é apenas uma pitada do que o artista quer levar ao público em seu primeiro CD, “Antônimo”, que também deve chegar em breve.
Show de lançamento será em Belém
Dentre as músicas de “Gito”, Antônio destaca “Calçada da Deselegância”, feita em parceria com o músico Daniel Mã, baiano que mora em São Paulo. “A música tem uma pitada de humor, uma brincadeira com o gesto egoísta das pessoas que passeiam com seus cachorros nas calçadas e sequer recolhem os dejetos deixados pelos animais. A música fala disso, mas também da gente que tem que acordar cedo para trabalhar, da rotina, da dificuldade em ‘matar um leão por dia’ e ainda ter que ver cenas como essas”, explica o autor, que também firmou parcerias com João Paulo Deográcias no remix da música “Do Tamanho do Mundo”.
Antônio Novaes nasceu em Belém, onde iniciou seus estudos musicais, graduando-se em música pela Universidade Federal do Pará mas hoje vive em São Paulo, mas já morou em Milão por dois anos e também Estados Unidos.
Ele já fez shows em São Paulo, em que pôde antecipar um pouco desse trabalho autoral, e recebeu a alegre aprovação do público paulista, que tem respondido muito bem ao trabalho quase que artesanal de Antônio de unir tantas nuances como rock experimental, jazz e música da Amazônia.
“Os paulistas gostaram do carimbó nos shows que fiz na Praia Grande, em São Paulo, foi um bom tempero. Aliás, a música paraense tem ganhado uma repercussão muito boa e o carimbó chama a atenção das pessoas e as alcança com muita facilidade devido ao ritmo. No ‘Gito’ temos a música paraense como referência mais forte nas faixas ‘Cumbiera’, que batizei em homenagem ao Mestre Viera e investi nos toques de guitarra mais amazônicos, e na faixa ‘Breve Tristeza de um Violão’”, diz o músico, convidando o público a escutar o EP, que está disponível gratuitamente na internet.
“O show de lançamento vai ser em Belém, no Sesc Boulevard com a banda que me acompanha na cidade: Príamo Brandão, no baixo, Adriano Sousa, na bateria, Cacau Novais, no backing vocal, e o naipe de metais com Marcos Puff, Jô e Téo Silva”, adiantou Antônio. Ele também lançará o EP em São Paulo, em julho.
(Diário do Pará)
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