Não se engane pelo rostinho angelical nem pela voz doce. Ana Clara consegue transitar entre o pop e o rock, a delicadeza e a acidez, sem perder a suavidade jamais. Depois do sucesso de seu primeiro EP, “Canções de Depois”, um cartão de visitas, agora o primeiro disco “cheio” que ostenta seu nome vem com dez faixas, das quais sete inéditas e tão interessantes quanto o trabalho inaugural e a sua performance no palco. O disco chega através do selo Na Music em CD e em plataformas digitais como iTunes, Deezer e Spotify.
Filha do professor Emanuel Matos, um poeta e compositor por excelência, Ana Clara traz a poética musical na veia e se arrisca na assinatura de duas canções, mas também traz trabalhos de outros autores, como o gaúcho Pedro Veríssimo (da banda Tom Bloch e também filho de um grande mestre das letras, Luis Fernando Veríssimo), com a canção “Flores e Refrigerantes”; Estêvão Bertoni (da paulistana Bazar Pamplona), com “Prumar”; Toni Soares e Guaracy Britto Jr., em “A Sereia”; Jack Nilson (ex-Stereoscope), em “Desconstrução Sentimental”; Lucas Padilha (Meio Amargo) em “Sem Chão”; “Céu em Dois” e “O Adeus Veio Depois”, ambas de Marcel Barretto e Marcelo Damaso; e “Polaroid Sem Cor”, de Toni Soares e Mariano Klautau Filho. Há ainda Sammliz e Ed Guerreiro (ex-Madame Saatan), que participam na composição “Souvenir”; e João Lemos (Molho Negro), parceiro em “Ele Sabe Dançar”.
A lista é, de fato extensa, uma prova da quantidade de amigos-artistas que apostam no sucesso de Ana Clara. Ela é a responsável, também, por toda a produção e direção artística do álbum, mostrando maturidade e controle total sobre onde quer chegar com este trabalho. Não estranhe, inclusive, se em metade das músicas sentir uma energia solar, e em outra metade for contagiado por um clima noturno - a escolha foi proposital, como num disco com lado A e B.
O disco tem produção musical do gaúcho Iuri Freiberger, que veio a Belém diversas vezes trabalhar com carinho neste projeto. Acompanham a cantora Marcelo Damaso (violão folk e guitarra), noivo da artista que dedicou literalmente todo seu amor ao projeto, João Lemos e Marcel Barretto (guitarras), Manuel Malvar (baixo) e Ulysses Moreira (bateria). Outros amigos, como Eduardo Feijó, Jack Nilson, Toni Soares e Guaracy Britto Jr. participam do álbum.
A capa, com arte da designer Anna Leal sobre ilustração do artista plástico paraense Erinaldo Cirino, traz, segundo palavras de Damaso, “um universo onírico, um ambiente com certo mistério a ser explorado para se revelar aos poucos”.
É delicado, como Ana Clara naturalmente costuma ser. De sorriso largo e gargalhada frouxa, ela encanta por onde passa. Assim como sua música. Ouça.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar