O Mestre Vital Batista fez 69 anos no último dia 28 de abril, mas sua festa de aniversário será neste sábado, em Cametá, com tudo que se tem direito para celebrar o ícone da arte popular do Baixo Tocantins. O mestre nem espera tantas surpresas, mas deve se emocionar com shows de artistas locais e exibição do documentário “Sonoridades e Memórias do Rio Tocantins”. Tudo organizado por um grupo independente de profissionais de comunicação social, que tem, através de trabalhos acadêmicos, se empenhado em divulgar o rico acervo cultural popular do mestre que criou o Engole Cobra, grupo de banguê ecológico da região.
“Vamos celebrar a vida do mestre e agradecer por tantos feitos. Ele sabe muito pouco sobre o evento e fizemos muitas homenagens: gravamos uns vídeos com depoimentos de Gina Lobrista, Gang do Eletro, Banda RK e os próprios grupos vão tocar na festa, assim como faremos a exposição fotográfica e do acervo de roupas que ele usa nos shows. Para além do aniversário, estamos empenhados em sempre dar visibilidade até nacional para o trabalho dele. Sempre levamos para onde podemos uma exposição itinerante com 27 imagens do mestre feitas por diferentes artistas, alguns deles universitários, como Roberta Brandão e Luan Rodrigues. Todos temos esse envolvimento especial com ele”, diz o produtor cultural Hugo Tomkiwitz, responsável pela festa de aniversário para o mestre e produtor do grupo Engole Cobra.
Recentemente, Hugo fez junto com Mestre Vital um longo projeto de resgate da obra dele. O resultado gerou, entre outros produtos, a exposição fotográfica e o documentário apresentado junto com diversas outras histórias para um interessado grupo do Rio de Janeiro.
“Quando o assunto é Amazônia, todos se interessam. Mostrar isso foi bom porque estávamos com a crise hídrica em pauta na mídia e todos queriam saber como era um mestre da cultura popular que canta sobre a preservação do meio ambiente”, completa o produtor, que fez essa divulgação no último mês de janeiro.
Para quem não conhece o “Engole Cobra”
Numa época em que poucos pensavam sobre a preservação ambiental, Mestre Vital Batista foi vanguardista. Era década de 1990 e os “cara pintadas” saíram às ruas lutando contra a corrupção, mas Mestre Vital fundou, às margens do rio Tocantins, um grupo musical de banguê ecológico. Ao som de viola, reco-reco, tambor e cuíca, eles se apresentavam fantasiados, com os rostos pintados, misturando ritmos locais com referências do pop nacional, para cantar a mitologia amazônica e protestar contra a devastação das florestas e a corrupção.
Poeta, pensador e uma figura polêmica, Mestre Vital nasceu e viveu até os 12 anos nas ilhas do rio Tocantins e depois foi estudar na cidade de Cametá. Aos 26 anos, começou sua carreira musical como vocalista da banda Caferana e não parou mais. Foram 12 anos em diversas bandas, como locutor nas aparelhagens, e depois, já aos 45 anos, montou seu próprio grupo musical, com o qual gravou 3 CDs e um DVD em estúdios caseiros.
Seu estilo é uma mistura de inspiração em cantores como Zé Ramalho, Raul Seixas, Nilson Chaves e Ney Matogrosso, e tudo isso o ajudou a criar seu próprio personagem, meio trovador e muito polêmico: o Engole Cobra.
“O Engole Cobra não é um grupo, o engole cobra é um bicho imaginário que nunca existiu. Um bicho misterioso que não tem nome que eu batizei Engole Cobra. Para mim, todos os depredadores da natureza e corruptos são cobras e eu gostaria de ser um bicho pra engolir esses caras, porque bicho ninguém prende”, explica Vital Batista.
Vital cria suas próprias fantasias inspiradas neste personagem imaginário e mistura animais da pré-história com a fauna atual. Improvisa usando paneiros, fibras do buruti, lycra, cuia, plástico reciclado e encarna o Engole Cobra, um bicho voador sem pena e com pele, um mutante que ora lembra um lagarto ou um morcego. Seu figurino é muito esperado pelos seus fãs, pois varia em cada apresentação.
O cantador veste macacões coloridos, colados ao corpo, usa cabelos pintados, capacetes ou chifres. Mas o mais interessante do seu trabalho são as letras de suas músicas, que denunciam a devastação do planeta, fazem uma crônica sobre os acontecimentos sociais e políticos do Brasil com a mesma intimidade com que cantam os mitos eternizados em nossas lendas.
HOMENAGEIE O MESTRE!
Noite Cultural em homenagem ao Mestre Vital Batista
Quando: Hoje, às 18h.
Onde: Casa de Show Batista, no centro de Cametá.
Quanto: Entrada franca.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar