Nos vastos campos da Ilha do Marajó, o vaqueiro, na busca de controlar o gado, demonstra destreza e habilidade com o cavalo e o rebanho. A atividade, peculiar da pecuária extensiva, é para o fotógrafo paraense Octavio Cardoso especial: desde criança é acostumado com a cena. E quando começou a fotografar foi na ilha que fez suas primeiras imagens. Hoje em dia, já são mais de 30 anos na busca de retratar homem e natureza.
Contemplado com o XIV Prêmio Marc Ferrez de Fotografia 2014, da Fundação Nacional das Artes (Funarte), o fotógrafo desenvolve o projeto “Minha Ilha – campos abertos do Marajó”, que incluiu viagens aos municípios de Soure, Muaná e Cachoeira do Arari. Uma exposição com as imagens feitas será aberta no próximo sábado (9), a partir das 10h, no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém.
Foto: Octavio Cardoso
Octavio procura realizar a documentação da atividade do vaqueiro, sem perder o seu próprio olhar. “Tive primeiro a preocupação documental. Passadas três décadas, vi que à medida que eu fazia imagens além do documento, ia tendo mais satisfação. Procurei fazer imagens com a minha visão, a minha poética. E isso me traz o retorno pessoal como artista. Paralelamente aos trabalhos documentais, desenvolvi uma pesquisa própria, com temas como a solidão, silêncio, introspecção, reflexão. E vejo isso na paisagem do Marajó”, explica Octavio.
Ação educativa
O projeto incluiu ações educativas para alunos do 9º ano das escolas Liceu Mestre Cardoso, em Icoaraci, e Adaltino Paraense, em Cahoeira do Arari – ocorridas no início do mês de março. A atividade foi realizada com uma exposição com imagens dos vaqueiros e suas práticas cotidianas de trabalho. Os alunos também participaram de uma oficina de fotografia, em que construíram câmeras artesanais (chamadas de pinholes) e produzir as próprias imagens do local onde vivem. Uma exposição pode ser vista no Liceu Mestre Cardoso da capital até dia 19 de maio.
Foto: Octavio Cardoso
Os alunos com deficiência visual tiveram uma experiência sensorial para “ver” as fotos a partir placas de cerâmica, que têm o relevo de uma fotografia. O objetivo foi reunir todos os alunos, de olhos vendados, para que toquem o objeto e tenham uma nova experiência sensorial. “A experiência para os jovens que participam da oficina é muito interessante por despertar o olhar sobre a paisagem e a cultura, e pela construção de um objeto, que é a câmera artesanal. A proposta da exposição com mídias táteis é possibilitar não só a acessibilidade dos portadores de deficiência visual, mas também oferecer a todos a percepção da imagem de outra forma”, diz Simone Moura, professora de arte, que conduziu as ações.
Serviço

Abertura da exposição do projeto “Minha Ilha – Campos Abertos do Marajó” será no próximo sábado, a partir das 10h, no Museu Paraense Emílio Goeldi, localizado na Travessa Magalhães Barata, 376, bairro de São Brás, em Belém. Entrada gratuita.
Visitação: de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e sábado, domingos e feriados, das 9h às 15h.
(DOL, com informações da assessoria)
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