O Strobo continua aceso. Desde sua estreia em 2011, com um álbum homônimo, Leo Chermont e Arthur Kunz são os polos de energia da banda, que busca luz própria no já fartamente iluminado cenário musical de Belém, onde aparentemente o cinza não tem vez. Evoluindo em meio às fluorescentes festas de aparelhagem do tecnobrega e absorvendo a rica tradição de frutos locais, como o carimbó e a guitarrada, Chermont e Kunz dividem-se como positivo e negativo na capa de “Mamãe Quero Ser Pop”, mas se unem ao longo de suas 12 faixas, na dura tentativa de encontrar um espaço para um som sem palavras na terra de canarinhos como Dona Onete, Gaby Amarantos e Lia Sophia.
Alternando correntes analógicas e digitais, entre instrumentos tradicionais e eletrônicos, a dupla acerta na opção por grooves minimalistas - calcados em riffs e não em solos como no álbum anterior, “Delírios cromáticos”, de 2012 - e brilha quando encontra seu estilo, acima de limitações de timbres e formatos, na sonoridade de videogame de “Paranoia”, no árido blues de “Nonsense” e nas correntes tropicais de “Latino”, “Amazônia Bang Bang” e “Cumbia do Zumbi”. Na brincadeira de ser pop, o Strobo já consegue se destacar entre as luzes da cidade.
(AGência OGlobo)
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