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Apropriação do virtual para o real

Para a fotógrafa e pesquisadora Flavya Mutran, a questão do direito autoral é antiga e se renova ao longo do tempo – como prova a pequena história entre Walker, Sherrie e Michael. A própria artista possui diversos trabalhos que envolvem fazer interferênci

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Para a fotógrafa e pesquisadora Flavya Mutran, a questão do direito autoral é antiga e se renova ao longo do tempo – como prova a pequena história entre Walker, Sherrie e Michael. A própria artista possui diversos trabalhos que envolvem fazer interferências sobre imagens. Ela foi premiada inclusive com a pesquisa da série “There’s no Place”, que partiu da apropriação de imagens que Flavya encontrou em redes sociais, depois refotografadas, desconstruídas e repassadas por diversos suportes.

“No meu caso específico, de me apropriar de imagens que estão em área pública, em rede – afinal eu não invadi o perfil de ninguém, elas estavam expostas ao público, eu estava ali como um fotógrafo que vai fotografar o Ver-o-Peso, uma área de livre acesso –, a obra que eu apresento hoje não é a realidade que a pessoa fez, nem é o que foi visto também viu no computador. Eu coloco todo um pensamento, manipulação estética, estudo. Mas nem por isso me eximo da responsabilidade de estar fotografando detalhes de uma imagem de outra pessoa”, pondera a artista.

E outros questionamentos vão surgindo. “Qual é o direito que o autor tem de apontar para uma obra de arte e dizer que aquilo é só dele? Não está também envolvido no produto final o uso da câmera, com funções desenvolvidas por determinada empresa, como a Canon? E o Photoshop onde ele fez as edições? No caso do fotojornalista, onde fica o diagramador, o repórter que fez o texto que acompanha a foto e lhe amplia o sentido? Não tem uma cadeia de produção enorme por trás? E principalmente: No que a gente avança ou não avança tentando alargar essas distâncias?”, discute Flavya.

(Diário do Pará)

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