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Exposição mostra as tecituras de Mestre Nato

Há pouco mais de um ano, em maio de 2014, Mestre Nato fez sua despedida. Deixou, para quem fica, a saudade e um legado de louca criatividade, em costuras, esculturas, colagens e pinturas sobre tela onde ele teceu uma rica obra sobre os temas da cultura po

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Há pouco mais de um ano, em maio de 2014, Mestre Nato fez sua despedida. Deixou, para quem fica, a saudade e um legado de louca criatividade, em costuras, esculturas, colagens e pinturas sobre tela onde ele teceu uma rica obra sobre os temas da cultura popular amazônica.

É esse trabalho, construído em diferentes técnicas, que pode ser visto até fim de agosto na exposição “Linhas de Resistência: Bordados Imaginários”, montada no Museu de Arte de Belém (Mabe), com realização da Associação dos Amigos dos Arquivos Públicos do Pará (Arq-Pep), em parceria com o Memorial Mestre Nato, criado para preservar e divulgar a obra deixada pelo artista.

Nascido em Belém em 1952, Raimundo Nonato da Silva, o Mestre Nato, ganhou notoriedade especialmente pelos trabalhos com tecido em figurinos de espetáculos de teatro, e estandartes, como os dos santos juninos que confeccionou durante mais de dez anos s para o Arrastão do Pavulagem.

Os bordados não foram uma escolha aleatória. O interesse artístico de Nato despertou exatamente quando ele estudava alfaiataria no Rio de Janeiro e participou do movimento cultural da época. Nos anos 1970, reunido aos hippies, ele trouxe esses ideais e referências estéticas para sua história.

“Após uma boa estadia no Rio, tio Nato foi morar embaixo do Museu de Arte Moderna, junto com artesãos, onde, de fato, sua veia artística tornou-se evidente. Confeccionava peças de madeira esculpida e expunha todo esse material à venda. Esse período despertou o interesse dele em estudar pintura, ele teve acesso a estudos de arte, o que proporcionou mais conhecimento para produções futuras”, conta Alê Nogueira, sobrinho de Nato e guardião dessa obra que ele se empenha em divulgar.

A exposição, em boa parte, é formada por obras do acervo do memorial criado pela família do artista para salvaguardar esse patrimônio desde a morte de Mestre Nato. Nelas, Nato desenvolveu uma arte baseada na cultura popular, na mitologia amazônica, na religiosidade e na sexualidade.

Entre as obras da mostra, estão figurinos, estandartes, telas e esculturas, além de objetos pessoais do ateliê dele e croquis. A ideia é conduzir o visitante da mostra a um mergulho no mundo pessoal, sempre pontuado por cores fortes, e no processo criativo do artista.

A mostra foi possível após o trabalho de mapeamento de toda a obra de Mestre Nato no atelier que ele deixou no bairro do Guamá, que hoje abriga o Memorial. Também pelo trabalho paralelo feito para preservar e restaurar essas obras, com apoio de diferentes instituições.

“Devido a algumas parcerias, está sendo possível desenvolver vários projetos. Com a Arq-Pep, aprendemos técnicas de conservação de obras de arte, desde a higienização até o acondicionamento. Com o projeto Coroatá, por meio do programa de extensão da UFPA, temos auxílio em diversos trabalhos, entre ele o acesso ao conhecimento museológico com professores e alunos do próprio curso, responsáveis pela organização de todo o acervo do Mestre”, explica Alê Nogueira.

(Diário do Pará)

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