Amais de mil quilômetros de distância de Belém, no Cine Teatro Solar Boa Vista, em Salvador, o paraense Ronielson da Silva Araújo, conhecido como o B-boy Kapu, 29, foi o segundo colocado na Final Nacional da Red Bull BC One, a maior competição de breakdance do mundo. Kapu, que competiu representando o estado do Rio de Janeiro, onde mora há cinco anos, se classificou assim, ao lado do vencedor, o B-boy Ratin, para a próxima etapa da competição, a Final Latino-americana, dia 30 de outubro em Lima, no Peru, de onde ele poderá seguir para a Final Mundial.
O paraense se dedica ao breakdance desde 2002, quando assistiu pela primeira vez, ainda no colégio que frequentava, no bairro do Curuçambá, em Ananindeua, a performance de um b-boy. A partir de então começou a treinar os passos deste estilo em uma escola de dança no bairro onde morava. Kapu conta que já representou o Brasil na Final Mundial do Red Bull BC One, em 2010, realizada na cidade de Tóquio, no Japão.
“Eu fui convidado para dançar com o brasileiro que foi campeão desse ano. Fiquei maravilhado com os b-boys, vi que eram grandes competidores. Foi tudo muito novo, pois eu nunca tinha saído do país e de repente me vi do outro lado do mundo. Eu também não tinha nenhuma experiência de batalha internacional. Nesse momento, considero essa uma das maiores vantagens que tenho. Tem cinco anos de lá pra cá. Vim morar no rio, estudar, ganhei algumas competições e outras visões sobre a dança”, diz ele.
Kapu integra atualmente o grupo “IQ Fênix Crew” e coleciona movimentos e técnicas de diversos estilos de dança às suas performances no break. Muito foi adquirido através da Companhia de Dança Híbrida e com o Grupo de Rua de Niterói, com os quais se apresenta. Além disso, ainda carrega os movimentos de uma das primeiras relações dele com a dança, a capoeira e o salto de rua que praticava em Belém. Aliás, seu nome enquanto competidor, “Kapu”, nasceu de uma abreviação da palavra capoeira.
Muito além dos movimentos break “Sempre adaptei outros movimentos junto aos de break. Quando vim para o Rio trabalhar na companhia de dança daqui encontrei nela um pensamento mais contemporâneo. Enquanto b-boy eu só pensava em passos e movimentos, e aprendi a pensar até sobre o jeito de cuidar do corpo”, conta. Hoje, seu treinamento envolve pilates, fisioterapia, além da prática de outras danças urbanas. “Sem dúvida minha dança ficou muito rica nos últimos cinco anos”, completa. Agora o paraense se prepara para enfrentar os melhores b-boys da América Latina. “Vou treinar mais ainda para fazer bonito lá fora. Treinei muito para a etapa nacional porque, na minha opinião, os melhores competidores da América do Sul e Central estão no Brasil. Sinceramente considero que a fase final, na Itália, vai ser mais fácil que a nacional. Nesta etapa eu perdi para detalhes e uma das minhas estratégias é analisar vídeos da apresentação, tentar driblar estas falhas e obter a vitória em Lima”, diz ele. Além de Kapu e Ratin, o b-boy Luan, que venceu a etapa latino-americana de 2014 e que representou o país na final mundial do campeonato, em Paris no mesmo ano, também irá para a final latina. Os 16 competidores da final brasileira se enfrentaram em batalhas homem-a-homem e foram analisados em critérios como musicalidade, originalidade, performance e presença de palco, o mesmo deve ocorrer nas próximas etapas. Os melhores dançarinos da disputa vão buscar o título de campeão do mundo em Roma, na Itália, em novembro. O país já teve um campeão mundial em 2010, o b-boy Neguin, que hoje integra o Red Bull BC One All Stars, um time com os melhores b-boys da cena mundial. No grupo das estrelas está também o brasileiro Pelezinho, jurado da batalha em Salvador. Para Kapu, os brasileiros sempre têm grandes chances de levar o título. “Aqui tem um jeito mais malandro de dançar. No exterior ainda vejo eles muito presos às bases e fundamentos, com excesso de limpeza de movimentos e técnica. Aqui tem a mistura com samba, capoeira... Temos uma dança mais rica por esses detalhes”. (Diário do Pará) |
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