Às vezes é tão natural que passa despercebido. Outras vezes, o olhar dos artistas é o que ajuda a destacar a beleza que não é só do tacacá ou do açaí, mas deste outro elemento fundamental da culinária paraense: a cuia. Artesanato ícone da identidade cultural do estado, o modo único de fazer as cuias no Baixo Amazonas passou do anonimato a Patrimônio Cultural do Pará. E no próximo dia 11, a partir das 10h, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural se reúne na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília, para avaliar a proposta de registro delas como Patrimônio Cultural Brasileiro.
“O pedido de registro, apresentado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan) em novembro de 2010, ressalta as técnicas e o conhecimento utilizados na região para confeccionar este objeto que agregou novos elementos e significados ao longo dos tempos. Os saberes relacionados à produção e utilização de cuias fazem parte das complexas dinâmicas de colonização e ocupação do espaço amazônico e estão diretamente relacionados ao aproveitamento de recursos naturais disponíveis no Baixo Amazonas”, informou o Iphan, por meio de sua assessoria.
A prática artesanal de fazer cuias desenvolveu-se entre comunidades indígenas da região há mais de dois séculos, sendo atualmente um ofício praticado por mulheres. A participação dos homens ocorre principalmente no processo de retirada do miolo do fruto. Acredita-se que o berço das cuias pintadas é a comunidade de Aritapera, situada às margens do rio Amazonas, em Santarém, Oeste do Pará. Atualmente, as mulheres da comunidade produzem como uma associação que chega a exportar o produto.
Tradição mantida por mulheres.
(Diário do Pará)
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