A construção coletiva que marca a história do Arrastão do Pavulagem ganhou novos significados em 2015. Ao lançar uma campanha de financiamento coletivo pela internet em maio deste ano, o Arraial do Pavulagem convidou o público a reinventar a própria relação com os cortejos do grupo.
A resposta ao chamado veio em forma das mais diversas demonstrações de afeto e carinho por uma trajetória que se aproxima dos 30 anos.
Com o patrocínio de 183 pessoas, e apoio institucional, o Arrastão celebra mais uma edição neste domingo, 14. Sai às ruas com a ajuda de quem sempre esteve por perto dessa tradição da cultura paraense: o público.
Acolhidos ao som de toadas de boi, xotes, carimbós e quadrilha, os brincantes são recebidos por uma roda cantada na concentração para o primeiro cortejo da temporada, a partir das 9 horas, na escadinha da Estação das Docas. É o aquecimento para a chegada dos Mastros Juninos e do Boi Pavulagem, os símbolos da festa. Os músicos da roda cantada apresentam um repertório que vai do tradicional ao moderno, com a proposta de contagiar a plateia e fazer dessa acolhida para o Boi um momento para difundir as tradições da cultura popular da Amazônia.
O primeiro Arrastão da quadra junina de 2015 começa no momento em que o Boi Pavulagem, o boi azulado que encanta adultos e crianças, aporta na escadinha da Estação. Ele vem pelas águas da Baía do Guajará, acompanhado pelo Boi Malhadinho, do bairro do Guamá, pelos vaqueiros e pelos Mastros Juninos em uma grande festa comandada pelo grupo de carimbó Sancari.
Este ano, o ritual de levantamento dos mastros também passa por mudanças. Eles deixaram de ser erguidos no ensaio geral para retomarem aos poucos às origens. Voltam a fazer parte do cortejo fluvial que traz os bois Pavulagem e Malhadinho e serão fincados na Praça dos Estivadores, durante a saída do cortejo em direção à Praça da República. A cerimônia reverencia as festas populares dos santos católicos do interior do Estado.
Entenda o cortejo
O mais antigo dos cortejos do Arraial, o Arrastão do Pavulagem é realizado desde 1987. É uma brincadeira de rua concebida para retratar a quadra junina e a rica cultura popular brasileira.
Além do colorido nos chapéus de palha, as cores também são incorporadas a outros formatos e se espalham por adereços, estandartes, bandeiras de santo, bois, cavalinhos, bonecos e toda forma de arte e criatividade. São elementos e ícones que ao longo do cortejo ganham vida com o Batalhão da Estrela, uma comunidade crescente de pessoas que participam da construção do folguedo e se mantêm unidas por uma identificação maior: um sentimento de pertencimento e compreensão do sentido do trabalho. São músicos, dançarinos, artistas circenses e brincantes que levam elementos diretamente ligados à concepção do Cortejo.
A campanha continua
Iniciada no dia 17 de maio, a campanha tinha a meta de arrecadar R$ 25 mil até 11 de junho. O valor foi alcançado um dia antes do término.
O dinheiro será destinado à estrutura de som e palco, à confecção reforma de materiais que compõem os cortejos, entre outros custos operacionais além de garantir a realização com tranquilidade do primeiro Arrastão. As doações podem ser feitas até 4 de julho.
“É bom sentir o carinho das pessoas por este bem cultural que já se tornou patrimônio coletivo do povo paraense. Atingimos uma grande meta, mas ainda não o suficiente para todo o mês. Então, a campanha continua e quem quiser colaborar pode fazer no domingo, ao lado do palco, onde pessoas autorizadas vão ajudar”, diz Junior Soares, fundador do Arraial do Pavulagem e um dos organizadores da campanha.
Para contribuir, basta se cadastrar no site www.eupatrocino.com.br e escolher o valor do patrocínio. Há cotas a parir de R$ 20 e recompensas para quem colaborar. São kits com chapéu, adesivo, camisa, CD, DVD e outros produtos.
(DOL com informações do Arraial do Pavulagem
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