"Padre, perdoe-nos porque pecamos contra a alma, contra a justiça e contra a falsa moral. Caso contrário, lhe arrebento a cara em vários pedaços, assim como separaram Jesus em partes". A fala, religiosa e ao mesmo tempo visceral, é de um dos personagens devotos de Santa Pocilga de Misericórdia, espetáculo que entra em cartaz para a primeira temporada nos dias 16, 23 e 30 de junho, sempre às 18h e 20h, no Teatro Experimental Waldemar Henrique.
O espetáculo é a última parte da “Trilogia do Armário”, composta por “Ao Vosso Ventre” e “Amém!” e mostra a vida de seis homens encarcerados, que vivem os escombros de suas escolhas ao exercer os desejos mais vis e sagrados. O poeta "Jean", o machão "Marcel", o "Padre" obsceno, o contraditório "Mudinho" e o puto "Companheirinho" são heróis que carregam o peso do mundo nas costas.
De acordo com o diretor Kauan Amora, ao invés de espetáculo, a montagem é considerada uma oração dos - e para os - desalmados e desencarnados da vida. "Pocilga de Misericórdia é uma santa que se anuncia através de chorose gozos e vem para mostrar que os renegados também rezam, creem, esperam, amam...", explica Kauan, que também assina a encenação.
A dramaturgia é assinada pelo doutorando em Antropologia pela UFPA, Rodrigo Barata, que se inspirou em nomes como Jean Genet, um poeta e ladrão francês, que tem "Un Chant D'Amour" como uma canção de raiva e de sexo.
Serviço: Santa Pocilga de Misericórdia será apresentado nos dias 16, 23 e 30 de junho, no Teatro Experimental Waldemar Henrique (avenida Presidente Vargas, 645 - Praça da República), com sessões às 18h e 20h.
(DOL)
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