A sexualidade e o amor homoafetivo na velhice também são tema de um filme lançado no ano passado pelo diretor Ira Sachs, numa coprodução franco-americana estrelada pelos atores Alfred Molina e John Lithgow, ambos em interpretações primorosas. Com roteiro do brasileiro Maurício Zacharias, “O Amor é Estranho” acompanha Ben e George, um casal gay que está junto há 40 anos, faz parte da vida da sociedade local, tem muitos amigos que os amam, e que decide, finalmente, usufruir o direito de casar legalmente e registrar o seu amor diante de todos. Mas é aí que os problemas começam a aparecer.
Com delicadeza, o filme aborda situações enfrentadas continuamente por casais gays. Primeiro, o preconceito travestido de aceitação que ainda permeia até mesmo as comunidades tidas como mais esclarecidas. George, personagem de Molina, que é professor de música na escola católica do bairro, perde o emprego logo depois do casamento, embora antes todos soubessem de sua escolha e de sua vida em comum com Ben.
As situações geradas a partir das dificuldades financeiras obrigam o casal, a essa altura do relacionamento, a viver separado e contando com favores de amigos e parentes. É aí que surgem outras questões: a falta de disposição das pessoas ao redor de lidar mais de perto com as necessidades trazidas pela velhice, como a doença de Ben, e o consequente conflito de gerações dentro da família, ao mesmo tempo em que os dois passam a descobrir novidades, dentro das restrições que lhes foram impostas.
(Diário do Pará)
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