plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 25°
cotação atual R$


home

_
_

Documentário mostra vidas de idosos homoafetivos

Os passos lentos, o tempo nas costas, as experiências gritando, medos e incertezas. Envelhecer é um processo natural, mas nem sempre feliz. Fica ainda mais difícil quando você é julgado pelos outros como estranho. Ser idoso e homoafetivo tem um peso dobra

twitter Google News

Os passos lentos, o tempo nas costas, as experiências gritando, medos e incertezas. Envelhecer é um processo natural, mas nem sempre feliz. Fica ainda mais difícil quando você é julgado pelos outros como estranho. Ser idoso e homoafetivo tem um peso dobrado aos olhares externos. No lugar do amor, recebe-se repúdio da sociedade, que tem certeza de que todos vivenciam seus corpos da mesma maneira. Lembranças, empoderamento de direitos, resistência e sexualidade são alguns dos temas que permeiam o documentário “Velhos Sujeitos, Outros Transgressivos”, de Dário Azevedo, que será lançado hoje, às 18h30, na Unipop, com entrada franca. Logo após a exibição do documentário, haverá uma roda de conversa, além de apresentações de artistas, como a banda “Itinerário Boomerang”.

Antes do documentário, veio a tese sobre envelhecimento homoafetivo, que fez do sociólogo Dário Azevedo, doutor pela Universidade Federal do Pará. A pesquisa tem grande inspiração nos escritos do filósofo francês Michel Foucault, cujos estudos falam com propriedade sobre a sexualidade em suas obras mais famosas: “História da Sexualidade” e “A Vontade de Saber”. A principal motivação de Dário foi a resistência existente em relação ao tema e a falta de pesquisas que lançassem um olhar sobre os idosos dentro desse contexto. Mesmo que o mundo acadêmico tenha produções de qualidade sobre homoafetividade, de teóricas como Judith Butler, Guacira Louro e Simone de Beauvoir, ele queria ampliar o debate. “Sei que não inventei a roda, mas quero contribuir”, brinca o pesquisador Dário Azevedo.

O documentário trata desses sujeitos e suas narrativas, não se atendo a um gênero. Pessoas que estão atravessando a velhice e continuam resistindo, mesmo abandonados por familiares ou pela sociedade. Através de depoimentos, foram captadas as lembranças de cada personagem, cheias de passagens fortes e reflexivas, inclusive nos espaços escolares, onde os primeiros enfrentamentos acontecem.

Foram selecionados indivíduos a partir dos 60 anos para as entrevistas, cada um com uma história diferente. Alguns moram na rua, outros foram expulsos do ambiente familiar e se encontram em devastadora solidão, e outros têm apoio de pessoas que os amam. Mas todos, de alguma forma, são desassistidos pelo poder público e relatam experiências em que surgem, aos olhos dos outros, como monstruosos e excêntricos.

A partir desses registros, o filme questiona a estrutura educacional que ainda segue uma regra onde modelos que fujam à heterossexualidade são vistos como errados ou impróprios. “A sociedade brasileira tem uma compreensão heteronormativa sobre a maioria das situações. Nosso país tem raiz absolutamente machista, que não respeita a diferença. Essa pesquisa não quer ser a porta-voz homoafetiva, ela quer ampliar o debate, contribuir”, explica o pesquisador Dário Azevedo.

O documentário, diz o realizador, surgiu como uma consequência. “Quando comecei a escrever a tese queria fugir um pouco de modelos tradicionais, quero acima de tudo propor um debate por direitos. A ideia não é transformar o projeto em algo que gere dinheiro, mas levar um tema acadêmico para um ambiente social, para causar a reflexão”, completa.

Tanto a tese quanto o documentário foram produzidos quase no mesmo período. Foram entre nove e dez meses de gravações de Dário com os parceiros do Âncora Films, Raoni Figueiredo e Denys Costa. Eles adaptaram o conteúdo para um formato audiovisual, para que ampliassem o alcance do debate em espaços diversos, como as escolas e a internet. O projeto também tem a parceria do coletivo SãodiPonte, do Núcleo de Estudos e Pesquisas da UFPA e da Unipop. O documentário vai estar, em breve, disponível gratuitamente na web.

Ficção bem perto do mundo real.

LANÇAMENTO

Lançamento do documentário “Velhos Sujeitos, Outros Transgressivos”, de Dário Azevedo
Quando: hoje, às 18h30
Onde: Unipop (Av. Senador Lemos, 557)
Quanto: de graça

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!