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Espetáculo leva público ao universo da cegueira

O que compõe um espetáculo teatral? Cenário, iluminação cênica, figurino? O que ajuda a perceber a interpretação dos atores, a expressão do rosto, o trabalho corporal? O espetáculo “Pelos Olhos Dela” transita numa proposta diferente disso. Escrito e dirig

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O que compõe um espetáculo teatral? Cenário, iluminação cênica, figurino? O que ajuda a perceber a interpretação dos atores, a expressão do rosto, o trabalho corporal? O espetáculo “Pelos Olhos Dela” transita numa proposta diferente disso. Escrito e dirigido por Carlos Correia Santos, é o primeiro resultado de um projeto que propõe um teatro inclusivo, com a participação de atores cegos, surdos, autistas e com síndrome de down, e que também propõe que o público viva a experiência de uma percepção diferente da cena, da mesma forma que os “atores-inclusivos”.

A proposta da montagem é cênico-sensorial. Por isso, o público que for ao auditório da Fibra, onde a peça fica em cartaz de hoje até domingo, vai ter que concordar em apreciar a cena de uma maneira inusitada durante os 40 minutos de espetáculo: com os olhos vendados. Por isso as sessões terão público limitado a 30 pessoas. Os únicos que não receberão vendas serão espectadores surdos. Nesse caso, eles vão poder acompanhar a peça com a tradução simultânea em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.

A intenção é fazer o público ir além das supostas deficiências do elenco, já que o público perceberá as vozes e ações deles, mas não verá os atores. “Queremos falar sobre a cegueira, mas num sentindo muito mais profundo que somente o da deficiência física”, explica Carlos Correia.

Iniciado em março deste ano, o projeto “Cena Especial” pretende trabalhar com espetáculos criados para debater aspectos ligados à inclusão, onde estarão em cena juntos participantes com e sem deficiência. E as experiências para o público também serão diversas. Pode ser, por exemplo, uma peça sem falas ou sons, ou algo que convide as pessoas a sentir as limitações físicas de quem convive com alguma deficiência.

“O ator-inclusivo é, primeiramente, um artista ciente de seu papel como instrumento da inclusão por meio das artes, em particular as cênicas. É um artista preparado para lidar não apenas com as situações gerais do fazer teatral, do mergulho nas exigências do palco, mas uma pessoa capacitada para se comunicar artisticamente explorando as possibilidades múltiplas dos sentidos, e da ausência destes”, explica Carlos Correia. A vida agradece.

SINTA

“Pelos Olhos Dela”, espetáculo sensorial do projeto Cena Especial – Teatro Inclusivo
Quando: Hoje até domingo, sempre às 20h
Onde: Auditório da Fibra (Av. Gentil Bittencourt, entre Generalíssimo e 14 de Março)
Quanto: Entrada franca
OBS: Os espectadores precisam concordar em ficar vendados durante a encenação

(Diário do Pará)

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