Para que o verão fique ainda mais quente, a Lambalada, tradicional festa embalada por ritmos solares como cumbia, lambada, carimbó, afrobeat, merengue, forró, brega, rumba, dub, reggae, zouk, cacicó e guitarrada, chega mais uma vez a Belém nesta sexta, a primeira das férias de julho. O baile traz Manoel Cordeiro tocando todas do seu mais novo disco, “Manoel Cordeiro e Sonora Amazônia”, com músicas instrumentais que passeiam pela jovem guarda, brega e lambada, e o último show do carimbó chamegado de Dona Onete antes da cantora embarcar em turnê pela Europa. Aos 76 anos, Dona Onete vai apresentar seus carimbós, boleros e banguês em Portugal, França e Inglaterra, onde ela lança o CD “Feitiço Caboclo” na segunda quinzena de julho.
A noite também terá os DJs Zek e Blue, com o projeto Los Picoteros, músicas salientes e picoteras que prometem merengue, cumbia, lambada, samba, salsa, tecnobrega, carimbó, guitarrada, metaleira, mambo e maracatu. E Luan Rodrigues traz para a Lambalada sua sonoridade caliente do “Ondas Tropicais” que, partindo de Belém, dá um giro pelo mundo visitando os mais diversos ritmos da world music mesclados em batidas repletas de groove e bass.
Criada em 2013 pelo cantor Felipe Cordeiro, a festa tem como parte do seu DNA ditar tendências e surpreender. Por isso, o show de Manoel Cordeiro traz uma participação especial: traz a cantora Cindy Tunner, de Itaituba, no oeste do Pará, para os palcos de Belém.
Dona de um timbre de voz que em nada deixa a desejar às divas da black e soul music, Cindy ainda não tem um trabalho pronto. Mas sua vida começou a mudar quando ela gravou o hit de Beyoncé, “I’d Rather Go Blind Boy”, e postou na internet (acesse o QR Code abaixo e ouça).
“O áudio foi publicado em uma rede social e já tem mais de 4 mil audições. Chegou aos ouvidos do Rodrigo Viellas, diretor da Ampli Criativa, e ele gostou e me chamou para cantar”, diz ao telefone, com uma voz suave, a jovem de apenas 19 anos, sobre o contato com a produtora paraense que promove a Lambalada.
Mas não se engane com a voz de Cindy ao telefone. Quando canta, ela tem um vozeirão que surpreende quem resolve dar o play.
“Sou de Londrina, no Paraná, mas com 7 anos me mudei para Itaituba. Sempre ouvi muitas músicas, desde criança. Lembro da vitrola que tinha em casa e dos discos que minha mãe trazia. Eu gostava de cantar em videokê e fiz minha primeira apresentação musical em público aos 14 anos, em uma gincana da escola, onde uma das provas era cantar uma música em inglês”, relembra Cindy.
“Depois, comecei a trabalhar em programas de TV da minha cidade, primeiro o ‘Da Minha Terra’ e depois o ‘Noite de Sábado’. Era assistente de palco, mas também cantava cover de músicas pop, como Beyoncé, Katy Perry e Rihanna”, resume a garota sobre sua carreira com a música.
Ela se tornou vocalista da banda Gotas de Oceano, que, segundo Cindy, toca um reggae estilizado – misturado com outros ritmos. É esse som que deve influenciar o disco autoral que ela pretende gravar. “A gente tocava nas batidas do reggae, mas tocando músicas como MPB, pop internacional, pagode, sertanejo. E essa é uma das misturas que pretendo levar para o meu trabalho. Além disso, tive muita influência da black music americana, tanto que tenho composições em inglês. No meu primeiro CD, quero desenvolver um trabalho em um estilo afropop, com música que possam ser tocadas nas boates, mas com essa pegada afrobrasileira, além de soul, blues e jazz”, planeja Cindy.
Na participação dela no show de Manoel Cordeiro, já vamos ver um pouco dessa mistura, já que ela traz ao palco do Tábua de Marés música paraense e mundial. “Vou fazer ‘Um Poema de Amor’, do maestro Wilson Fonseca, e ‘Summertime’ de Nina Simone, espero que a galera goste”, aposta Cindy.
(Diário do Pará)
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