Reginaldo Mourão é um nome que ninguém conhece em Belém, mas se você perguntar pelo Cobra, seu nome de trabalho, todos saberão de quem se trata. Desde 1962, Cobra vende as melhores pipas, papagaios e rabiolas da cidade e é ele que, experiente, ensina tecnicamente a diferença entre esses três gêneros.
“A pipa é de plástico. Já o papagaio e a rabiola são de papel de seda, sendo que o papagaio é mais triangular com rabo de pano e é mais difícil de fazer e de empinar. Aliás, antigamente a gente só empinava desses, tinha que ser bom para colocar no céu”, relembra Cobra.
Ele aprendeu a fazer as pipas com os pais e avôs e tornou isso o seu trabalho. Uma arte de combinar cores, colar papéis e fazer os objetos com a aerodinâmica perfeita. “Antes a gente fazia com tala de jupati, agora é com fibra. A escolha das cores, o desenho, tudo sou eu que faço. Tem que saber colar para não ficar grossa a emenda. Levo de 10 a 15 minutos para fazer uma”, diz o artesão, que no mês de julho, quando há a combinação de verão e férias escolares, vende ainda mais. “Vende o ano todo e quem compra mais são os adultos, seja para ensinar os filho e netos ou para a própria diversão”, completa.
Mas Cobra, além de “empresário” do ramo, gosta mesmo é de colocar os papagaios para o alto, e por isso integra a Associação de Empinadores de Pipa, formada principalmente por adultos, que se reúnem tradicionalmente para campeonatos. “Tenho amigos que compram aqui há muitos anos e no mês de julhos nos reunimos para soltá-las no céu. Acho que a pipa nunca vai morrer. A emoção de fazer algo voar é sempre muito bom”, poetiza.
(Diário do Pará)
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