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Em Belém, Toquinho fala sobre canções e carreira

De forma intensa e cheio de novos projetos. Assim Toquinho comemora 50 anos de carreira circulando pelo país com shows onde toca canções que fazem parte da história da MPB e continuam emocionando plateias. Dentro dessa rota, ele chega hoje a Belém, onde s

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De forma intensa e cheio de novos projetos. Assim Toquinho comemora 50 anos de carreira circulando pelo país com shows onde toca canções que fazem parte da história da MPB e continuam emocionando plateias. Dentro dessa rota, ele chega hoje a Belém, onde sobe ao palco do Teatro Maria Sylvia Nunes, em um show para convidados, nas comemorações dos 73 anos do Banco da Amazônia.

A carreira de Toquinho tem muitos números que impressionam. São 82 discos gravados e mais de 450 músicas compostas. Entre elas, clássicos como “Aquarela”, “Tarde em Itapuã” e “Que Maravilha”. Já foram cerca de 10 mil shows no Brasil e no exterior. E ele se mantém produzindo. Seu mais recente projeto infantil, ao lado do artista plástico Elifas Andreato, inclui músicas baseadas nos direitos das crianças estipulados pela Organização das Nações Unidas.

Assim como nos trabalhos com Vinicius de Moraes ou Chico Buarque, Toquinho sincretiza paixões. Uma delas é o futebol, que ele leva para sua música e não deixar de comentar diante do acúmulo de decepções que o esporte tem enfrentado no Brasil. Confira a entrevista exclusiva que ele concedeu ao Você:

São 50 anos de caminhada, transformando poesias em canções. Como você se sente quando olha para trás e vê a carreira que construiu?

Dentre tantos aspectos, vejo a constante evolução como artista e como homem que procura tocar violão cada vez melhor, compor com mais simplicidade e respeitar as diferenças entre as pessoas.

Com a data, vieram shows, documentário e até um livro e exposição fotográfica. Fale um pouco desse projeto.

Trata-se de registrar uma trajetória musical marcada por muito trabalho e dedicação ao violão, repleta de encontros com pessoas importantes que se tornaram muito mais que amigos, parceiros talentosos e companheiros de experiências que fazem de mim um homem em condições de enfrentar um futuro cada dia mais produtivo.

Música instrumental, MPB, música para crianças. Tem algum gênero que você gosta mais de fazer?

Em se tratando de música, tudo é apaixonante. Amo tocar violão, compor, fazer shows com banda ou só com meu violão. Tudo isso para mim vira uma constante diversão, principalmente nas composições infantis, para as quais deixo a criança aflorar.

Em muitos desses trabalhos você contou com a parceria de Vinicius. Do que mais sente saudade?

Vinicius foi e ainda é muito importante em minha vida, tanto profissional como pessoal. Aprendi com ele a respeitar a humanidade. Do que mais sinto saudade é do Vinicius amigo, dos papos descontraídos, de suas conclusões inteligentes sobre a vida e sobre as pessoas, de sua generosidade e de seu olhar poético diante do cotidiano.

E você não para, não é? Tem vários projetos para lançar CD com a Anna Setton e DVDs com Paulo Ricardo, Sérgio Reis, isso significa que os palcos e os estúdios ainda são os melhores lugares para você?

Para mim, os palcos e os estúdios são usinas musicais onde revigoro minha criatividade. O público é uma constante injeção de vigor artístico e humano. E nos estúdios deixo registradas canções que superam a ferrugem do tempo. O melhor é que aprendi a dividir tudo isso com as pessoas que compartilham desse meu prazer de atuar com descontração.

Não dá para pensar em Toquinho e não pensar em futebol, que todos sabem que é uma de suas paixões. Mas, falando de seleção brasileira, o país anda vivendo uma crise. Você se sente decepcionado?

O futebol é o reflexo daquilo que vivemos em outros setores: carência de talentos. Em tudo, a crise é muito maior! E no futebol, além do passado ter sido tão exuberante, o presente é tão frustrante quanto desanimador.

Que soluções você proporia para que a Seleção Canarinho voltasse a brilhar?

Convocar apenas os jogadores que atuam no Brasil.

E o futebol de botão, ainda está entre as suas atividades preferidas?

O futebol marcou minha infância de grandes vitórias. Meu time era praticamente imbatível. Se voltar a jogar, certamente serei um destaque em todos os torneios.

(Diário do Pará)

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