Em 2003, a banda Los Hermanos fazia em Brasília um dos inúmeros shows de lançamento do álbum “Ventura”, quando foi abordada para uma entrevista ao vivo, que iniciou com a repórter apresentando os integrantes. “O grupo é formado por Marcelo Campelo, guitarra e voz (...)”, disparou. O músico olha feio para ela, enquanto Rodrigo Amarante, sentado ao seu lado, parece se divertir. Esta se tornou a mais célebre entrevista com a banda, entre as muitas que circulam pela internet e continuam a ser visualizadas anos depois.
Gafes à parte, a banda Los Hermanos, formada por Rodrigo Barba, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e encabeçada por Marcelo Camelo - e não Campelo, claro - tornou-se um fenômeno em todo o país. O diferencial está no fato de o quarteto reunir um público imenso em seus shows, de ter até suas entrevistas mal fadadas como hits da internet, de ter uma legião de fãs que ainda afirma “ouvir suas músicas todos os dias”, como é o caso da paraense Cláudia Piani, 29, e, ao mesmo tempo, ser uma banda “em recesso”.
Agora os fãs estão ainda mais ansiosos com a possibilidade de assistir ao documentário “Los Hermanos – Esse é só o começo do fim da nossa vida”, de Maria Ribeiro. O filme acompanha o grupo durante a turnê de 2012, que marca o retorno aos palcos após cinco anos de um primeiro recesso, e em Belém o filme estreia hoje, às 19h30, no Cine Estação das Docas, com direito a apresentação da banda cover Paquetá, com repertório da banda Los Hermanos, óbvio.
Diretora é uma entre os milhares de fãs
No documentário, Maria Ribeiro, que também é fã da banda, acompanha a movimentação nos camarins, a rotina das viagens e grava pequenos e espontâneos depoimentos dos integrantes. Há o registro de momentos únicos, como quando Rodrigo Amarante mostra versos da música “Tardei” – lançada um ano depois em seu disco solo “Cavalo” – para Marcelo Camelo, no camarim. As filmagens ocorreram durante cinco dias, enquanto a turnê passava pelas cidades de Recife, Brasília, Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
Na saída dos shows, o assédio dos fãs também é captado pela câmera e Maria Ribeiro talvez seja a melhor pessoa para entendê-los e retratá-los. A diretora conheceu a banda quando pediu para usar as músicas do disco “Bloco do Eu Sozinho” em um curta que produzia. Ela também já tentava registrar em vídeo os bastidores dos shows desde que foi anunciada separação, em 2007, e fez “Los Hermanos – Esse é Só o Começo do Fim da Nossa Vida” com R$ 200 mil tirados do próprio bolso, justificando a realização do projeto como uma parte importante na sua vida.
Por essas e outras, durante a tão aguardada passagem da banda por Belém, no próximo mês de outubro, no caso de alguém ter a oportunidade de fazer novamente as últimas perguntas daquela famosa entrevista ao vivo de 2003 (“Como é essa relação com o público? Foram bons os shows anteriores?) é bem provável que Rodrigo Amarante não tenha do que reclamar e, até mesmo, não perca a oportunidade, dando a mesma resposta que deu 12 anos atrás: “Foram muito bons! Não foram... Campelo?”.
MATE A SAUDADE
Documentário “Los Hermanos – Esse é só o começo do fim da nossa vida”
Estreia: Hoje, às 19h30, seguido de show da banda Paquetá
Onde: Cine Estação das Docas (Boulevard Castilhos França)
Ingressos: R$ 10 (com meia-entrada para estudantes). O acesso ao show da banda Paquetá é gratuito.
Sessões: Dias 12, 16, 22 e 26 às 18h; dias 15 e 23, às 20h30; e dia 19, às 10h e às 20h30.
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