Uma banda “zumbi”, com fãs de todas as modalidades. Assim é o Los Hermanos. Criada em 1997, por Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba, a banda lançou quatro álbuns de estúdio, se separou dez anos depois e, mesmo com fim declarado, continua voltando à vida – ou melhor, aos palcos. Sua condição também gera fãs de todos os tipos, desde os que conhecem toda a história da banda, todas as letras, mas que nunca viram um show; até aqueles que foram a todos os shows possíveis e continuam por aí, timidamente aguardando a próxima oportunidade.
Neste último caso, encontramos Sandro Frota. Ele começou a ouvir a banda em 2005, e hoje, aos 42 anos de idade, ainda sente dentro do coração a mesma emoção que teve no primeiro encontro ao vivo. Ele foi um dos muitos fãs que lotaram a estreia em Belém do filme “Los Hermanos – Esse É Só o Começo do Fim da Nossa Vida”, da diretora e atriz Maria Ribeiro, em cartaz até o dia 26 no cine teatro Maria Sylvia Nunes, da Estação das Docas. Sandro saiu da sala de cinema cantarolando timidamente – em meio a tantos adolescentes eufóricos – a canção que dá nome ao filme.
“A ansiedade faz a gente esperar mais, mas foi legal (o documentário). A gente só fica esperando que eles falem mais, toquem mais músicas, não quer que acabe”, comenta Sandro, que compareceu a todas as passagens da banda por Belém. Ariane Lameira, estudante de 20 anos, fã desde 2013, conta da infelicidade de só conhecer a banda após o término. “Eu comecei escutando ‘Conversa de Botas Batidas’ e ‘Além do Que Se Vê’, depois fui em busca de todos os discos. Comecei justamente depois do fim. Nunca vi um show deles”, conta, aos risos.No documentário “Los Hermanos – Esse é Só o Começo do Fim da Nossa Vida” fica evidente como se formou esse fenômeno. Logo no primeiro show mostrado no filme, Marcelo Camelo pergunta quem estava ali para ver o Los Hermanos pela primeira vez e mais da metade das 15 mil pessoas presentes levantam as mãos. Rodrigo Amarante se mostra surpreso e repete a pergunta – a resposta é a mesma. É que assim como a paraense Ariane, muita gente só conheceu e se apaixonou pelo som deles quando o fim já havia sido anunciado, formando uma nova geração de fãs que sente saudade do que nunca viveu.
“Acho que acaba sendo até clichê a resposta, mas gostar da banda Los Hermanos passa mesmo por essa sentimentalidade da música, pela forma como colocam nas letras coisas que a gente [os fãs] também sente e passa. Esse rock não tão agitado, que te envolve, te deixa preso, é mesmo uma paixão que provoca na gente. É uma letra que tu paras e ouves, e sente ela passando por dentro de ti”, diz Madson Almeida, universitário de 20 anos, parte desta nova geração de fãs.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar