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Zeca Baleiro relê obra de Zé Ramalho em trabalho

A paixão pelo folk e pelo cordel é apenas um dos elos que unem Zeca Baleiro e Zé Ramalho. O sotaque nordestino, a voz misteriosa e levemente suja, o rock pós-moderno, mas com influências dos anos 1960 e Jovem Guarda, misturado às influências dos seus próp

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A paixão pelo folk e pelo cordel é apenas um dos elos que unem Zeca Baleiro e Zé Ramalho. O sotaque nordestino, a voz misteriosa e levemente suja, o rock pós-moderno, mas com influências dos anos 1960 e Jovem Guarda, misturado às influências dos seus próprios mundos, são outros tantos encontros dessa parceria. Agora Zeca Baleiro homenageia Zé Ramalho com o CD e DVD “Chão de Giz - Zeca Baleiro Canta Zé Ramalho”, que reúne músicas marcantes da carreira do paraibano, como a que dá nome ao trabalho, até as menos conhecidas, como “Desejo de Mouro”.

“Três critérios foram fundamentais para selecionar as músicas para esse trabalho: minha relação afetiva com as canções, a importância histórica delas e a possibilidade de releitura e rearranjo. Naturalmente, eu próprio burlei de leve essas leis, quando escolhi alguns ‘lados b’ completamente ignorados pelo público”, diz, com risos, o cantor.

Dirigido por Monique Gardenberg (de “Benjamin” e “Ó Paí Ó”), o DVD traz 17 faixas. Entre os extras, o clipe de “Garoto de Aluguel (Taxi Boy)”, gravado especialmente para projeção durante o show. Registrado em estúdio, o áudio do clipe aparece como bônus na edição digital do CD, que reúne outras 14 canções. “O clipe foi ideia da Monique. Ela me propôs um roteiro um tanto cinematográfico e eu topei. Gostei do resultado, ficou bem sutil e poético e ilustra lindamente a canção, uma das mais belas do Zé”, argumenta Baleiro.

O projeto foi antes um show, realizado em 2013 e também dirigido por Monique. Para Baleiro, a revisita às músicas do companheiro foi um grande desafio. “Zé trouxe uma voz muito particular para a música brasileira. Seu universo musical, que tem algo de medieval e mouro, suas letras, que têm um quê de cordel, rock e psicodelia, isso tudo é muito original. O homem é único. Achei desafiadora a empreitada, por isso topei. Gosto de aventuras”, revela Baleiro. E para os amantes de uma boa interpretação, o disco é um deleite. Baleiro consegue tornar as canções lindas de Ramalho ainda mais instigantes, com detalhes ricos de som crescendo e emoção na voz, sinais vivos da relação sentimental de Baleiro com Ramalho.

“Me sinto feliz com as parcerias musicais. Zé é um amigo querido, não somos muito próximos, nos vemos pouco, mas temos respeito e admiração mútuos. É um mestre”, elogia o maranhense, que adiantou suas preferidas no trabalho. “Foi uma delícia cantar ‘Avohai’. Mas a que mais me toca é ‘Ave de Prata’”, confidencia. Não são para menos as escolhas do cantor. Em “Avohai”, um violão e um contrabaixo folk dão a base para Zeca cantar um clássico da música brasileira de uma forma nova. E em “Ave de Prata”, as batidas de bumbo, que sugerem a frequência cardíaca, nos remetem a um dos sons mais roqueiros que o Nordeste poderia produzir.Os dois já foram parceiros juntos em outros momentos e essa junção já havia dado rock em 1999, quando Ramalho cantou “Bienal”, composição de Baleiro. “Temos duas parcerias, uma gravada por ele primeiro, no disco ‘Parceria dos Viajantes’ (2007), que está no DVD, ‘O Rei do Rock’, e outra que permanece inédita, ‘Repente Cruel’”, conta Baleiro.Um encontro que não passaria nunca despercebido.

(Diário do Pará)

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