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Lazer: artigo de luxo para muitos nos dias atuais

Assistir à televisão, jogar videogame, conversar com os amigos, passear em família, viajar, ouvir música, ler, dançar, praticar esportes e fazer um curso diferente são algumas das coisas que se pode fazer no tempo livre. E mesmo que essas atividades traga

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Assistir à televisão, jogar videogame, conversar com os amigos, passear em família, viajar, ouvir música, ler, dançar, praticar esportes e fazer um curso diferente são algumas das coisas que se pode fazer no tempo livre. E mesmo que essas atividades tragam prazer, é preciso que também tragam benefícios para a mente e para o corpo. Todo mundo merece descansar. A vida corrida, os prazos e pressões, tudo vai deixando a mente e o corpo mais cansados. Mas ter tempo livre e alguns momentos de lazer virou uma preocupação constante e até novo motivo de estresse para muita gente, principalmente para quem enfrenta uma jornada excessiva de trabalho.

Segundo um recente estudo global feito pela empresa de pesquisa de mercado GFK, 58% das pessoas estão completa ou suficientemente satisfeitas com a quantidade de tempo que dedicam ao lazer, além de estarem superdispostas a investir em produtos ou serviços voltados a períodos de relaxamento. A pesquisa foi feita em 22 países e realizou 27 mil entrevistas online com pessoas maiores de 15 anos.

Só que os brasileiros não parecem tão satisfeitos assim. O estudo apontou que 28% dos entrevistados declararam algum tipo de insatisfação com o tempo que dispensam ao lazer, sendo que 20% não estão totalmente satisfeitos e 8% estão totalmente insatisfeitos. Mais estressados que os brasileiros, estão os russos (31%) e os japoneses (30%). Apesar de conhecidos por seus poucos dias de férias por ano, os norte-americanos foram os que se declararam mais contentes com a quantidade de tempo de lazer. Quase sete em cada dez americanos (69%) se dizem completa ou suficientemente satisfeitos. Eles são seguidos de perto pelos ingleses e canadenses (67%), e pelos belgas e alemães (66%).

TRABALHO DEMAIS, FOLGA DE MENOS

O lazer é visto muitas vezes como proporcional à condição econômica, afinal, se as pessoas o compreendem como comprar objetos, ingressos ou passagens, é preciso ter dinheiro para se divertir. E como ter dinheiro? Trabalhando muito. Só que se você trabalha muito, quase não sobra tempo para o descanso. É nesse ponto que a questão vira um problema cíclico. Infelizmente, de maneira geral, lazer ainda é visto como algo supérfluo, e pouco acessível à grande parte da população que não possui condições.Segundo a diretora da GFK, Eliana Lemos, o conceito de tempo de lazer varia de cultura para cultura, e mesmo de pessoa para pessoa. “As pessoas menos satisfeitas com seu tempo de lazer provavelmente responderão mais efetivamente a ofertas focadas no melhor aproveitamento de seu limitado tempo livre, e tendem a apresentar melhor aderência a atividades criadas especificamente para os seus períodos irregulares de lazer”, diz Eliana.

Esse é um valor novo, surgido com a formação da sociedade industrial, quando a sistematização do trabalho fez surgir a necessidade de um tempo de liberação e de prazer em que os indivíduos escolhem uma atividade de acordo com critérios prioritários e interesses pessoais. Como define o sociólogo francês Joffre Dumazedier, é o tempo que cada um tem para si, um conjunto de ocupações não obrigatórias que cada um pode ter, seja para repousar, se divertir, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social ou livre capacidade de criar, a que chamam de “ócio criativo”, conceito defendido pelo sociólogo italiano Domenico De Masi e possível com a evolução tecnológica e científica que permite às pessoas serem produtivas mesmo não trabalhando tanto e tendo maior tempo livre, que pode ser utilizado para o lazer.

(Diário do Pará)

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