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Atrasos, burocracia e regras nebulosas

Outra artista que sofreu as consequências do atraso da publicação da renúncia fiscal do edital passado foi a cantora Sammliz (ex-Madame Saatan), que teve que adiar o lançamento do primeiro disco solo. “As dificuldades são as mesmas para todos nós. Meu di

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Outra artista que sofreu as consequências do atraso da publicação da renúncia fiscal do edital passado foi a cantora Sammliz (ex-Madame Saatan), que teve que adiar o lançamento do primeiro disco solo.

“As dificuldades são as mesmas para todos nós. Meu disco vai sair, mas, como teve esse problema, não só o meu trabalho, mas os de muitos artistas tiveram atraso. As leis de incentivo precisam ser mais includentes, precisam ser repensadas. O disco está atrasado, e mesmo assim já estou na correria para captar recurso para o projeto do edital deste ano, em que também passei”, conta Sammliz.

A cantora acredita que o formato de um Fundo de Cultura seria mais democrático para dar oportunidade aos artistas. “Precisamos discutir com a sociedade civil, em todas as esferas, para que isso aconteça, mas precisamos avançar muito nessas discussões culturais”, diz.

Além da dificuldade para conseguir patrocínios, a burocracia tanto da Lei Semear quanto da Lei Municipal Tó Teixeira castiga os produtores, que veem seus projetos sem perspectiva de realização.

Em relação à lei municipal, uma das maiores reclamações é de que o teto de recursos disponíveis para captação foi atingido cedo demais, por falta de gestão da Fumbel (Fundação Cultural de Belém), deixando muitos projetos a ver navios.

Foi o caso do Grupo Charme do Choro. “Imagina você fazer toda a negociação com os empresários, coisa superdifícil, conseguir patrocinador, e na hora dar tudo errado? O Charme do Choro passou por isso na Lei Tó Teixeira. Chegamos com toda a papelada, tudo certinho, aí nos avisavam que a cota tinha sido batida. No edital não tinha isso, falta transparência nesse processo”, reclama a musicista Camila Alves.

“Os empresários estão cada vez mais inseguros em apoiar, é muito complicado, porque muitos não sabem como funciona. Está uma coisa falida, a gente acaba recorrendo a editais nacionais. Um Fundo de Cultura seria uma solução para ter patrocínio direto. Essas cartas são uma falsa felicidade. Tu ficas alegre na hora, mas no fim vira uma coleção de cartas, que a gente não consegue captar”.

(Diário do Pará)

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