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Drika Chagas leva grafites para museu

Este mês, o grafite de Drika Chagas se desloca das ruas para um dos museus mais importantes da capital paraense: a Casa das Onze Janelas. O Laboratório das Artes recebe o trabalho da artista em um processo diferente de como as obras de arte tradicionalmen

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Este mês, o grafite de Drika Chagas se desloca das ruas para um dos museus mais importantes da capital paraense: a Casa das Onze Janelas. O Laboratório das Artes recebe o trabalho da artista em um processo diferente de como as obras de arte tradicionalmente entram nesses espaços expositivos, mas intimamente ligado ao processo de produção das artes de rua.

Drika abre as portas do museu para que o público visite a exposição “Antiga Cidade”, ainda em produção, que contém, nos grafites dela e no video mapping de Kauê Lima, a atmosfera da arte urbana em diálogo com estátuas de roca, imagens sacras usadas em procissões católicas, principalmente no período barroco.

“Achamos importante abrir ao público o processo criativo e há pelo menos uma semana as pessoas têm comparecido. Alguns ficam receosos quando chegam na porta e veem lonas pelo chão e tintas espalhadas, mas rapidamente explicamos o que está acontecendo”, convida Drika.

OBRA FEITA PARA DESAPEGAR

A inspiração para o trabalho veio quando Drika Chagas viu imagens do fotógrafo Michel Novo que registravam as estátuas de roca do acervo do Museu de Arte Sacra. Ela percebeu que havia uma relação com um grafite que havia feito em um dos muros da Rua Joaquim Távora. “Achei interessante a teatralidade desses bonecos, que são unissex e acabam se transformando em santos ou santas de acordo com a necessidade dos ritos católicos. Na Casa das Onze Janelas, colocamos também as fotos do Michel, até para as pessoas perceberem essa relação”, explica a artista.

Sobre o grafite da estátua que Drika fez na sala, Kauê projeta formas visuais que ele ainda está construindo, ressaltando elementos desse objeto. “Estou trabalhando nessa projeção, que pode ser no braço, na cabeça, na textura, ou até mesmo uma roupa sobre o boneco. O legal é que esse processo de construção está acontecendo e as pessoas podem acompanhar”, diz Kauê.

Nas demais paredes estão outros elementos da tradição católica ou que têm uma relação com a cidade, como a imagem do Senhor Morto da Igreja do Carmo e uma imagem que Drika irá pintar em um barco na Rua São Boaventura, extrapolando os limites da sala de exposição. “Vamos lá fazer o grafite e filmar o processo para apresentá-lo dentro da sala como mapping”, adianta.

Ela explica que trazer o grafite para uma sala de museu é um processo diferenciado, mas não deixa de traduzir a efemeridade típica dessa expressão artística. “Na rua a gente faz a arte nos muros e nunca sabe quando ela será apagada, então já temos esse desapego, mas ali fica sempre uma incógnita se ela durará dias, meses ou, quem sabe, anos. Já no museu é diferente. Ela foi feita aqui e tem dia e hora para começar e terminar. Quando a exposição acabar, as paredes serão cobertas e pronto, não existirá mais nada”, pontua a artista.

CONFIRA

“Antiga Cidade”, espaço de experimentação artística dos artistas Drika Chagas e Kauê Lima
Onde: Museu das Onze Janelas - Sala Laboratório das Artes (Praça Frei Caetano Brandão)
Quando: Hoje e amanhã, das 9h às 12h, o público pode acompanhar a artista em ação. A obra pronta pode ser vista até o dia 18.
Quanto: De graça

(Diário do Pará)

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