Falar do indivíduo, da natureza humana e de todos os seus mistérios é o que ela considera o cerne de seu ofício de artista. E, entre todas estas temáticas que tanto gosta de cantar, Simone afirma que o amor está acima de todas. “Sou como uma esponja. Absorvo tudo aquilo que observo ao meu redor, filtro através do meu raciocínio, do meu olhar e devolvo ao mundo através do meu canto. E, das manifestações do ser humano, a mais fundamental, sem dúvida, é o amor em todas as suas possíveis configurações e contextos”, ensina.
O timbre inigualável e as interpretações marcantes da cantora são os presentes que o Grêmio Literário e Recreativo Português traz para homenagear o Dia dos Pais. Com mais de 40 anos de carreira, Simone chega ao palco do clube, a partir das 22h de hoje, com o seu mais recente trabalho, a turnê “É Melhor Ser”, com canções de seu último CD, que tem o mesmo nome. São mais de 15 anos sem pisar em solo paraense, tornando este um dos shows mais aguardados em Belém. O público poderá vê-la interpretar canções de compositoras que admira, como Rita Lee, Joyce, Fátima Guedes, Marina Lima e Sueli Costa, além de outras que ela nunca havia gravado, como Teresa Cristina.
O primeiro single do CD chama-se “Mulher o Suficiente”, de autoria de Alzira Espíndola e Vera Lucia Motta. A cantora afirma que, assim como poderia ter feito um CD de inéditas, ou um álbum homenageando um compositor específico, escolheu fazer um disco assinado só por mulheres.“Acho que nos últimos 40 anos, a partir dos anos 1970, período que eu retrato no disco, houve um florescimento muito grande de compositoras. Até então, isto não era muito comum, a composição no Brasil era quase exclusiva dos homens. As mulheres tradicionalmente eram as intérpretes. Enfim, houve uma vontade de homenagear estas mulheres de vanguarda, guerreiras, amantes e, acima de tudo, grandes artistas”, elogia.
Cantora mostra composições próprias
A própria intérprete baiana também traz algo de compositora em seu novo show. Como a canção “A Propósito”, que nasceu de um bilhete enviado pela atriz Fernanda Montenegro, e “Só Se For”, que compôs com Zélia Duncan. Esta última é amiga de longa data de Simone, chegando a participar do DVD “Simone ao Vivo” (2005), e de uma turnê em 2008, o que resultou ainda no CD e DVD “Amigo é Casa”.
Por isso a canção “Só Se for” nasceu tão naturalmente, diz Simone. “Em algum momento, esta nossa parceria de trabalho se desdobraria em composição. E o processo foi completamente orgânico, ambas fizemos música e letra, tudo misturado”, conta. O show também traz novas versões para as canções “Charme do Mundo” (Marina e Antônio Cícero), “Mutante” (Rita Lee e Roberto de Carvalho), “Acreditar” (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho) e “Trégua Suspensa” (Teresa Cristina e Lula Queiroga).
Depois de 15 anos sem vir a Belém, Simone ainda garante deixar aqui uma de suas marcas registradas: inúmeras rosas brancas. “Aos fãs paraenses, só tenho a agradecer o imenso carinho que sempre tiveram por mim. Esperem por um show apaixonante, delicado, feminino… E, sim, com muitas rosas brancas, como merecem!”
(Diário do Pará)
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