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Vozes femininas embalam as noites de Belém

Elas não querem ser reconhecidas pela beleza e sim pelo talento. Belém está com uma boa safra de bandas covers com mulheres que mostram sua criatividade e referências com toda a propriedade, além de enfrentarem com bom humor o preconceito, seja ele musica

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Elas não querem ser reconhecidas pela beleza e sim pelo talento. Belém está com uma boa safra de bandas covers com mulheres que mostram sua criatividade e referências com toda a propriedade, além de enfrentarem com bom humor o preconceito, seja ele musical ou de gênero. Com um repertório pop-rock, de cara moderna, a Dona Beth, inspirada no balanço da “Beth Balanço” de Cazuza, é uma dessas bandas. A banda está em cena toda terça-feira no Cosanostra Caffé e comprova: elas estão comandando o som.

Dona Beth é formada por Yanna Cardoso (vocal, violão), Nathalia Petta (vocal), Ellen Costa (baixo e voz), Melly Rosas (percussão) e - o único homem - Augusto Oliveira Júnior (bateria). “Você sabe que a mulher, por natureza, é mais detalhista que os homens, não é? (risos). Então imagine uma banda com quatro mulheres, é uma loucura muito boa! Tem o lado masculino também, que nos ajuda muito a equilibrar isso, já que contamos com o Augusto na bateria. Essa relação vai muito além dos palcos, então isso contribui para que hoje a gente consiga se comunicar muito bem”, afirma a cantora Nathalia Petta, que sente a existência de uma cobrança diferente por ser uma banda onde a maioria dos integrantes é mulher. “A gente nota que o público sempre se surpreende quando o show começa e, de certa forma, notamos olhares inseguros do que pode vir quando mulheres assumem o comando do pop-rock no lugar dos homens, que já dominam esse estilo”, afirma.

Yanna Cardoso sente o machismo em alguns olhares, mas diz que, com profissionalismo, elas dão uma resposta à altura. “Toco desde muito nova e sinto que quando pego o violão os homens logo me olham imaginando que a voz pode até ser boa, mas que eu vou ‘arranhar’ no instrumento. Noto, sim, olhares diferentes, principalmente por parte dos homens, músicos também, quando não conhecem o meu trabalho. No final do show, perceber que surpreendi essas pessoas é quebrar esse preconceito de maneira gratificante”, comemora a artista.

Rock com explosão também é território feminino.

(Diário do Pará)

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