A Bahia é a primeira parada da turnê de circulação nacional do espetáculo “Solo de Marajó”, do grupo paraense Usina Contemporânea de Teatro, contemplado com o Prêmio Myriam Muniz da Fundação Nacional das Artes (Funarte). E a escolha não foi por acaso: a ideia é levar a prosa dalcidiana às terras de outros escritores regionalistas, cujas obras também refletem as diferentes culturas locais do país. A turnê estreia hoje, em Itabuna, seguida de temporada em Salvador, na sexta e no sábado.
Além da Bahia de Jorge Amado – itabunense de cujas mãos Dalcídio recebeu o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra –, o espetáculo visitará ainda o Ceará de Rachel de Queiroz, as Alagoas de Graciliano Ramos, a Paraíba de José Lins do Rego e o Rio Grande do Sul de Érico Veríssimo. Serão duas apresentações nas capitais e uma na cidade natal de cada escritor.
“Solo de Marajó” foi criado a partir da obra do romancista Dalcídio Jurandir, natural de Ponta de Pedras, na Ilha de Marajó, no Pará. Embora seja praticamente desconhecido pelo grande público, este caboclo marajoara é autor da maior saga da literatura da Região Norte, com dez romances publicados entre 1941 e 1978, e que reunidos constroem o maior testemunho literário de que se tem notícia sobre o modo de vida do homem que habita pequenas cidades e povoados na Amazônia.
O espetáculo estreou em 2009, em Belém, e traz em cena o ator Claudio Barros, contando oito histórias tiradas do romance “Marajó”, o segundo de Dalcídio. Os temas das narrativas vão desde questões de cunho social, como racismo, exploração do trabalho, tráfico de crianças e prostituição, até o universo íntimo das relações amorosas, recheadas de paixão, dor, solidão, ciúme e vingança. A direção é de Alberto Silva Neto.
(Diário do Pará)
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