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Sem apoio, folclore paraense padece

Não deveria ser necessária uma data para lembrar o folclore, afinal o termo agrega os fenômenos culturais populares, que deveriam estar vivos no dia a dia da comunidade. Mas a palavra inventada pelo arqueólogo Willian John Thoms, a partir dos termos em in

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Não deveria ser necessária uma data para lembrar o folclore, afinal o termo agrega os fenômenos culturais populares, que deveriam estar vivos no dia a dia da comunidade. Mas a palavra inventada pelo arqueólogo Willian John Thoms, a partir dos termos em inglês “folk” (povo) e “lore” (cultura), relembra coisas que muitas vezes têm sido esquecidas. Por isso a data de hoje, Dia do Folclore, ajuda a reanimar o debate sobre o assunto.

No Pará, onde há várias iniciativas para preservar folguedos e tradições populares, geralmente organizadas pelos próprios grupos, quem promove e mantém o folclore vivo não exime os órgãos públicos gestores de cultura da ausência de políticas públicas de valorização dessa produção popular.

“A palavra folclore é um termo muito genérico e usado por pesquisadores para denominar o que é cultura popular, mas a data voltada para essas expressões infelizmente não se traduz em nenhuma ação concreta, nenhuma política pública específica por parte dos governos. O carimbó, por exemplo, é patrimônio cultural imaterial, o que é inegavelmente um avanço, mas não há garantia de recursos para os grupos”, lamena Isaac Loureiro, do grupo Carimbó São Benedito, um dos ativos manifestantes pelo reconhecimento do carimbó como patrimônio.

Recentemente, ele e representantes de outros grupos participaram de um encontro nacional de cultura popular promovido pelo Ministério da Cultura e perceberam que ainda há muito o que se cobrar e avançar.

“O que existe hoje são duas percepções paradoxas. De um lado, vejo a força da cultura popular muito ativa em todo o país, mas motivada pelas próprias comunidades, que estão há séculos sem apoio e que precisam de inclusão e valorização efetiva. Elas se perpetuam por conta do amor dos mestres e guardiões em mantê-la. De outro, a ausência de políticas públicas. Hoje a gente vê muitos grupos de pássaros à beira da extinção por conta desta ausência”, pontua Isaac.

(Nathalia Petta/Diário do Pará)

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