Cláudia Leão é paraense e atua em Belém como pesquisadora, fotógrafa e artista visual. Mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é professora do curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará, onde também coordena o grupo de pesquisa e projeto de pesquisa “Sobre a Pele o Rio: a Paisagem no Território da Cultura Atravessando o Campo da Arte”, que inclui ações como os encontros a partir dos quais artistas são convidados a narrar experiências que envolvam relações de afeto e interação com diferentes grupos e lugares.
Ela viajou pelos rios na busca de encontros com pessoas e paisagens, associando a produção fotográfica às experiências das viagens de barco e à estadia em localidades às margens dos rios, onde conviveu e interagiu também com grupos ribeirinhos. “A possibilidade que me interessa é de conhecer pessoas e construir uma relação, uma história que já começa no barco mesmo. São quatro dias com pessoas que frequentam esses espaços , já que opto por viajar nas linhas convencionais. Tenho esse cuidado de fazer um movimento que seja muito natural de chegar até as pessoas e ficar com elas, até para que elas falem de coisas que são importantes, como a relação delas com o lugar. Outra coisa que quis explorar foi essa gente dentro do meio ambiente, não retratá-las apenas como paisagem, mas como prolongamento da nossa realidade. Afinal, a gente vive no entorno do rio, mas não se reconhece nessas pessoas, uma população ribeirinha gigantesca”, complementa.
A primeira viagem ocorreu em janeiro, para Breves, no Marajó, para uma prospecção inicial no Rio Amazonas. O percurso, inicialmente previsto para seguir até Almeirim, no oeste do Pará, por meio de um regatão, foi alterado e desceu no mapa: a artista foi então até Altamira e Vitória do Xingu, para ver o Rio Xingu.
“A gente entra em contato com a realidade dessas pessoas que terão que sair do seu lugar de origem [por causa da construção da hidrelétrica de Belo Monte] e fica pensando o quanto nós continuamos grandes perdedores nesse processo”, lamenta a artista.
O projeto tem um viés artístico e outro antropológico. A proposta é, a partir do fluxo de viagens de barco, pensar a paisagem do rio como ambiente de imersão artística. “O que me interessa é como essa experiência, essa invisibilidade, repercute para nós. Não olhamos para dentro, não sabemos da nossa própria história”, explica.
(Nathalia Petta/Diário do Pará)
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