Eles fazem questão de dizer que não são uma banda de forró, apesar de serem muito conhecidos pela predominância dessa sonoridade nas suas músicas. Mas não é só de “dois pra lá e dois pra cá” que é feito o som dos meninos da Dona Zaíra - eles são um caldeirão de misturas brasileiras e mundiais.
Cabe tudo, desde o forró até música eletrônica, iê-iê-iê, carimbó, cúmbia, rock’n’roll, jazz, MPB, tropicalismo, hip hop, catira, maracatu e coco-de-roda no som da banda que participou da última edição do reality show “SuperStar”, da TV Globo, e que chega pela primeira vez ao Pará, para apresentar seu terceiro trabalho, “Antenas e Raízes”, com shows hoje em Belém e amanhã em Inhangapi.
“Para nós, é uma honra tocar no Pará. Tínhamos esse desejo de trazer nosso trabalho para cá, até pelas referências daqui que chegam à nossa música, como o carimbó, que está muito presente nas nossas composições, principalmente na faixa desse disco chamada ‘Terno e Gravata’, que tem uma vinheta inicial com áudio gravado no mercado do Ver-O-Peso”, diz Diego, que toca triângulo.
A grande variedade de ritmos brasileiros pode deixar uma dúvida quanto às raízes da banda, mas bastam alguns segundos de conversa para perceber o sotaque do interior de São Paulo. Além de Diego, Beibi (zabumba e vocal), André (sanfona), Rafinha (cavaco), Matheus (contrabaixo) e Maicon (percussão e viola) fazem parte da banda que foi formada em Piracicaba há 10 anos e que estão felizes com a repercussão que o programa de TV trouxe para a trajetória do grupo.
“Sem dúvida fez toda a diferença. Passamos a ser vistos em todos os lugares e não somente no eixo Sul e Sudeste, onde já tínhamos uma carreira consolidada. Estamos chegando ao Nordeste, tocamos recentemente na Bahia e em Recife, e agora no Norte, com esses shows aqui”,
comemora Beibi.
SIMPLES, UNIVERSAL E MODERNO
Todos têm uma relação profunda e genuína com os ritmos populares brasileiros, como a moda de viola, choro, samba e até outros não tão brasileiros, como jazz, rock, blues e hip hop. E todas essas referências influenciaram diretamente na formação musical da banda.
“Essa mistura dos integrantes fez a Dona Zaíra, até porque quando fazemos referência ao regional, nos tornamos universais, porque as várias regionalidades compõem essa universalidade. No final, o que queremos passar é essa alegria, simplicidade e prazer de levar a vida, que está muito presente no caipira, no sertanejo, e isso não é só do Brasil. Basta pensar que o blues era feito pelos caipiras negros dos Estados Unidos”, diz o contrabaixista Matheus.
Nos shows, o grupo vai mostrar sua leitura do forró na era digital, abordando nesse novo trabalho temas como política, sexualidade e globalização, sem deixar de fora a maior temática poética: o amor. Na estética do disco, mais uma vez a mistura está presente. Vestidos de astronautas, eles fazem uma referência à união entre música de raiz e modernidade, que ultrapassa fronteiras.
“Um ano antes de entrar no ‘SuperStar’ fizemos uma turnê pela Europa, onde passamos por seis países - Inglaterra, Holanda, Suíça, Alemanha, Noruega e França -, com nove shows, e ficamos muito satisfeitos com a aceitação que essa mistura de ritmos tem lá. As pessoas participam do show, dançam. É legal ver a receptividade. Tem gente que nos procura dizendo que está aprendendo português para cantar as músicas e isso nos deixa contente. Se for pensar, é uma inversão na relação entre o Velho e Novo Mundo. Nós aprendemos o inglês para consumir essa cultura. Vê-los aprendendo o português para valorizar o que é nosso é muito especial”, completa Beibi.
(Nathalia Petta/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar