plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 28°
cotação atual R$


home

_
_

"Barrela" chega ao Guamá e ao Telégrafo

Quando a professora Lília Melo, de língua portuguesa e redação, perguntou “quem aqui já foi ao teatro?”, apenas dois ou três alunos levantaram a mão. O episódio é real e aconteceu semana passada, na Escola Estadual Brigadeiro Fontenelle, no bairro da Terr

twitter Google News

Quando a professora Lília Melo, de língua portuguesa e redação, perguntou “quem aqui já foi ao teatro?”, apenas dois ou três alunos levantaram a mão. O episódio é real e aconteceu semana passada, na Escola Estadual Brigadeiro Fontenelle, no bairro da Terra Firme. A turma era de Ensino Médio, formada por alunos com idade entre 15 e 18 anos. Instigada com a reação, a professora resolveu passar um trabalho extraclasse diferente: assistir a um espetáculo teatral que viria até o bairro. O espetáculo era “Barrela”, que começou no último fim de semana o seu itinerário percorrendo três bairros periféricos considerados zonas de risco da capital: Terra Firme, Guamá e Telégrafo.

No primeiro dia, o público era entorno de 90 pessoas, a maioria jovens alunos da professora Lília, o que surpreendeu o elenco. “O espetáculo é muito forte e nunca a gente teve um público com essa média de idade”, conta o ator Marcelo Andrade.

O projeto “Barrela: Uma Encenação como Ferramenta de Diálogo Social Sobre Violência e Realidade Carcerária” foi aprovado pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Pará em 2014, permitindo que o grupo realizasse a itinerância. Quem assina a dramaturgia é o paulista Plínio Marcos, que narra as relações conflituosas de cinco presos, personagens que estão em busca de assegurar poder perante os outros através de brigas, troca de olhares, imposições e cenas de opressão. Apesar de a história ser encenada dentro de um presídio, o objetivo do grupo é discutir esses temas retratando também a sociedade em geral, bem como as dificuldades da inclusão social e reabilitação de ex-detentos, a partir de um diálogo direto com os moradores desses locais, que podem ter vivido ou conhecer pessoas nessa mesma situação.

“No fim de cada apresentação, fazemos um bate-papo com o público e falamos dessa relação do espetáculo com o cotidiano da pessoa. E a periferia não está alheia às discussões, como muita gente pensa. A periferia está ligada em tudo e está disponível para discutir esses temas. Tivemos muitos relatos de pessoas que entendem essa situação carcerária, que conhecem pessoas que já passaram pelas mesmas situações que os personagens”, explica Marcelo Andrade. “Esses jovens têm irmãos e pais que sofrem exatamente isso que eles estavam vendo no espetáculo, com uma linguagem muito próxima à realidade deles. O projeto derruba esses muros da universidade, compartilhando a pesquisa e a cultura com a comunidade daqui. Agora, eles querem mais. Aqui eles têm a cultura deles, mais massificada, mas são muito carentes de cultura de reflexão”, explica a professora Lília.

NO SEU BAIRRO

Espetáculo "Barrela" com grupo Os Varisteiros

Quando: Hoje e amanhã, às 17h30

Onde: Cras Guamá (Passagem Sururina, 268, entre Travessa Ezeriel e rua 25 de Junho)

Quando: Sábado e domingo, às 18h

Onde: Associação de Moradores da Vila da Barca (Rua Professor Nelson Ribeiro, 66 entre Coronel Luís Bentes e passsagem Republicana)

Quanto: Entrada Franca

Inscrição para oficina: (91) 98058-8940

(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!